sábado, 4 de janeiro de 2020

Como encontrar a felicidade em tempos sombrios: três passos para olhar o futuro

Carlos Azevedo: O brasileiro é corrupto? Uma leitura de Elite do Atraso, de Jessé Souza


O brasileiro é essencialmente corrupto? Uma leitura de Elite do Atraso
A Elite do Atraso — Da Escravidão à Lava Jato, de Jessé Souza (Editora Casa da Palavra/Leya, 2017) é um bombardeio à tese do patrimonialismo, do “homem cordial”, movido pelos sentidos e não pela razão, que busca o sucesso pelo “jeitinho” e não pela lei, postura que generalizada no Estado resultaria em governos comandados por políticos corruptos. Esse Estado corrupto é que impediria o “puro e honesto” mercado de promover o desenvolvimento do país.
Jessé Souza escreve que a ambição de seu livro “é dotar a esquerda, ou seja, a visão que expressa os interesses da minoria esquecida, de uma reflexão que supere a mera proposição de um programa econômico alternativo”.
Ele propõe uma insurreição contra a corrente hegemônica da sociologia brasileira que tornou incontestável, verdade absoluta, a tese do patrimonialismo como característica predominante nas mentes e corações dos brasileiros, refletida na administração do Estado e nas relações sociais entre nós.
Questiona a tese nascida na USP pela obra Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e desenvolvida por Raymundo Faoro em  Os Donos do Poder.
É a tese do brasileiro “homem cordial”, que se deixa comandar pela emoção, pelos sentimentos em vez da razão, que se rege pelas relações de compadrismo, que em vez de obedecer à lei busca o famoso “jeitinho brasileiro”, que favorece os laços pessoais em detrimento da lei e do mérito. Assim criou-se o “brasileiro genérico”.
Essa falsa singularidade resulta num sentimento de inferioridade perante os estrangeiros, o chamado “complexo de vira-lata”. É a ideia naturalizada de que o brasileiro seria essencialmente corrupto em contraposição aos “puros” norte-americanos e europeus.
Segundo o autor, esse preconceito está entronizado na nossa sociedade. Na esfera do poder, ele se traduz pelo patrimonialismo, herdado de Portugal, que teria formado a nossa elite política essencialmente corrupta que se apossou do Estado.
Souza considera que essas concepções falseiam a realidade social brasileira. Ao apontar o patrimonialismo como o principal problema nacional, parecem conter uma crítica radical de nossas mazelas – mas na verdade distorcem o que é central, o conflito de classes, tornado invisível, substituído por um falso conflito entre Estado patrimonialista corrupto e o mercado, este sim, virtuoso.
Assim, tornam literalmente invisível a verdadeira elite de rapina que se encontra no mercado, dominado por oligopólios e atravessadores financeiros.
A escravidão é a semente
Em oposição ao patrimonialismo, o autor apresenta o sistema escravista que dominou todas as relações sociais no país durante três séculos e meio como o berço de todo o sistema de classes que se desenvolveu desde então – sistema que, na essência, se mantém até os dias de hoje.
Desde o período colonial, a produção agrícola de monocultura tinha como antagonistas, de um lado o português dono de grandes extensões de terras, e de outro, os escravos, indígenas e africanos.
O senhor comandava de forma autárquica (distante da administração de Portugal) e era o poder absoluto.
Dominava até a religião, tinha capela própria em casa e o padre era seu dependente.
A sua vontade, regras impostas por ele mesmo, era a lei. Seus escravos eram mantidos submissos a ferro e fogo e essa vontade total e indiscutível era dona da vida e da morte desses seres considerados como coisas, alvos de toda a violência, de humilhação e desprezo.
As condições de trabalho no eito eram terríveis e quaisquer reações de rebeldia tratadas com suplícios hediondos e a morte.
Devido a esse clima, a casa grande vivia em permanente tensão, assombrada pelo temor de um levante da senzala, e assim se desenvolveu um ódio covarde dos negros.
O senhor tinha o poder sobre os corpos dos seus escravos e estabelecia relações de intimidade com as escravas que trabalhavam na casa grande, relacionamento que Gilberto Freyre qualificou de “sadomasoquista”, porque envolvia ao mesmo tempo proximidade e crueldade, uma sexualidade com aparência de familiaridade, mas que ao cabo era sempre imposta e sem limites.
Dessas relações geraram-se os bastardos, mestiços, que muitas vezes eram mantidos na família e também podiam ser tratados como filhos quase tanto quanto os filhos da mulher branca casada com o senhor, a depender de seu humor ou conveniência.
Esse sistema escravocrata, patriarcalista e familista, iria sobreviver como elite adaptando-se às transformações políticas e econômicas que se deram com a chegada da família real ao País e o início da modernização da economia.
Entrincheirado nos seus casarões urbanos, transmitia a seus herdeiros sua ideologia autoritária, seu desprezo ao trabalho manual e o ódio covarde à “rua”, isto é, aos negros e pobres.
A libertação dos escravos, em 1888, sem os indenizar, sem lhes oferecer terras para cultivar nem condições de educação, e retirando dos senhores a obrigação de sustentá-los, resultou em uma grande precarização.
Formalmente libertos, os negros – que eram maioria no país no momento da Lei Áurea – ficaram submetidos a vender sua força de trabalho aos antigos senhores por salários miseráveis.
Em seguida, com a importação maciça de imigrantes europeus, habituados ao trabalho assalariado e com mais experiência técnica, a mão-de-obra de negros e pobres foi desprezada.
Amontoada em favelas, sem terra, sem trabalho, sem escola, a população negra foi empurrada para a marginalidade reforçando o preconceito e o ódio secular contra ela.
Desde então, o Estado e a sociedade afluente justificam o repúdio e o abandono dessa parte da população, cristalizando uma pérfida visão do negro como preguiçoso, mentalmente inferior, de tendência criminosa, violento, ladrão, assassino, que pode ser morto sem qualquer repercussão.
O medo dos escravistas da “rebelião negra” foi substituído na atualidade pela definição do negro como “inimigo da ordem”. Esses milhões de abandonados pelo Estado viriam a formar o que o autor chama de “ralé brasileira”.
Escravos na colheita do café. Marc Ferrez, 1882, Rio de Janeiro.
Ao mesmo tempo, aqueles setores da população criados à sombra da elite escravocrata, os bastardos, mestiços, mulatos, brancos pobres, foram se desenvolvendo como artesãos e, na medida em que a economia se tornava mais complexa, nas profissões da indústria incipiente, no comércio e serviços.
Era uma classe média que nascia dependente da elite e a seu serviço. E importante: afinada ideologicamente com a elite, tanto na ambição de fazer parte dela quanto no ódio e desprezo pelos negros e pobres.
No seu desenvolvimento posterior, a sociedade veio a constituir quatro classes.
Da elite do atraso à “ralé brasileira”
Souza critica as concepções de classe do liberalismo e a de inspiração marxista, o primeiro pela simplista divisão da sociedade em faixas de renda: A, B, C, D, E, como se só o bolso fizesse a diferença entre as classes. E a segunda por focar apenas no lugar ocupado na produção.
Classifica ambas como economicistas, ressalvando que a de inspiração marxista está mais próxima da realidade.
Mas esta não consegue explicar o principal: por que algumas pessoas escolhem certo tipo de ocupação ou de lugar na produção?
É preciso partir do “berço”, ou seja, da socialização familiar primária para compreender as classes e sua formação.
As classes são reproduzidas no tempo pela família e pela transmissão afetiva de dada “economia emocional” pelos pais aos filhos.
São um fenômeno sociocultural e não apenas econômico. São os estímulos que a criança de classe média recebe em casa para o hábito da leitura, para a imaginação, o reforço constante de sua capacidade e autoestima que fazem com os que os filhos dessa classe sejam destinados ao sucesso escolar e depois ao sucesso profissional no mercado de trabalho.
Os filhos dos trabalhadores precários, sem os mesmos estímulos ao espírito e que brincam com o carrinho de mão do pai servente de pedreiro, aprendem a ser afetivamente, pela identificação com quem se ama, trabalhadores manuais desqualificados.
Isso é o que possibilita, em um caso, o sucesso, e em outros, o fracasso social como já havia sido enunciado por Florestan Fernandes.
Considere-se a importância do exemplo que vem do ambiente e da convivência em casa.
Além disso, a simples comparação entre o estímulo que o filho de classe média recebe tendo a melhor escola e sendo sustentado durante anos para apenas estudar, e o filho do trabalhador mais pobre, sem exemplo familiar em quem se inspirar e frequentando más escolas, além de logo ter de trabalhar, forma o cenário da desigualdade aguda que reduz a pó o conceito de meritocracia e põe em ridículo a vaidade do profissional bem sucedido “por méritos próprios”.
Os privilégios de uns e a carência de outros são decididos desde o berço.
O quadro geral da sociedade mostra no topo da hierarquia social as antigas famílias proprietárias rurais de cafeicultura que se entrelaçaram com as redes de comercialização nacionais e internacionais e mais tarde assumiriam o comando da produção industrial e se associariam ao capital financeiro, resultando na elite atual.
Mais abaixo, como elemento dinâmico da livre empresa em expansão, aparece o “estrangeiro”, o imigrante, com produtividade 1/3 maior que a do antigo escravo e que vai eliminando a concorrência do negro.
A ele se juntam os segmentos mais cultos ou semi-instruídos de origem nacional, brancos pobres, mulatos empenhados na busca do “embranquecimento”, entre eles descendentes dos bastardos e agregados da antiga casa grande. Vão formar a classe média.
Abaixo desse segmento dos incluídos no mercado competitivo se desenvolveu uma plebe nacional composta por brancos e mestiços que vieram do campo para a cidade e que se inseriram nos interstícios da nova ordem como artesãos, prestadores de serviços, operários, formando a classe trabalhadora, sempre reprimida e que teria seu acesso à política só a partir das grandes greves do final dos anos 1970.
E, mais abaixo de todos, a “ralé brasileira” dos novos escravos, que representa um terço da população, negros e pobres que são alvo da repressão violenta do sistema, desprezados e humilhados pelas outras classes, abandonados pelo Estado, com ganhos miseráveis, sem acesso à educação, à saúde, sem direitos e, como antes e até hoje, podem sem assassinados impunemente.
Para o autor, a grande questão social, econômica e política do Brasil é a existência continuada dessa ralé de novos escravos. Sem que essa questão se resolva, o Brasil não avança como nação.
No seu desenvolvimento, a elite herdeira dos senhores de terras e escravos, que em número representa uma ínfima minoria, veio a dominar o mercado e concentrar o capital econômico, controlando o Estado, atuando na retaguarda dos políticos por ela patrocinados e eleitos e encaixando seus apadrinhados na máquina estatal para assumir e manter as rédeas do poder (são como os “aviõezinhos” no tráfico de drogas).
Mas essa larga hegemonia que se desenvolveu ao longo do século 20, e se mantém, não poderia se realizar sem o auxílio de uma outra classe, a classe média.
Ela é a mais estratégica para o padrão de dominação social instaurado porque detém o que o autor chama de “capital cultural”, ou seja, a posse de conhecimento útil em suas mais variadas formas, que seus membros adquirem desde o berço, na família até os bancos da universidade.
Para controlar o Estado e o mercado a elite do dinheiro precisa contar com o capital cultural, isto é, com o conhecimento dos profissionais engendrados no seio da classe média: economistas, engenheiros, juízes, advogados, enfim todos os que reúnem preparo técnico para fazer girar a máquina da economia, da política, da área cultural etc.
Para conquistar corações e mentes da classe média por meio do convencimento e torná-la seu “cão de guarda”, a elite do dinheiro manipulou a peso de ouro a esfera pública.
Esta é a instância em que se trava o debate das grandes ideias que mobilizam a sociedade – a área da intelectualidade, a universidade – e os setores que divulgam essas ideias, a imprensa e a indústria cultural.
Por exemplo, nasceram na USP as ferramentas ideológicas para promover a dominação: a tese do patrimonialismo como problema central do país, em detrimento da herança escravista, e a tese do populismo, que serve para depreciar e desmobilizar as lutas populares e as tentativas desenvolvimentistas como os governos de Getúlio Vargas e de Lula.
Naturalizando essas ideias que desaguam no “brasileiro cordial”, no “jeitinho brasileiro” e em que a singularidade do brasileiro é ser corrupto, a elite do dinheiro “comprou” a classe média.
Explorando a lenda da moralidade, suposto apanágio da classe média, colocou no centro do debate a questão da corrupção (mas seletivamente só a corrupção dos governos populares), assim tornando invisível o que realmente é principal: a violenta luta de classes que se trava na sociedade, com a brutal exploração da força de trabalho, imposta pela violência física e simbólica, e justificada pelo ódio e preconceito contra as massas populares, herança do sistema escravista.
A quatro frações da classe média
A classe média, colonizada pela elite do dinheiro, é a classe estratégica para o processo de dominação do Estado e sociedade.
Essa classe, que representa um terço da população, se apropriou do capital cultural, isto é, forma a intelectualidade, desenvolve e difunde as ideias hegemônicas.
Entretanto, nem sempre é reacionária e sobretudo não é homogênea. Na atualidade ela se apresenta em quatro nichos: 30% dela forma a fração protofascista; 35% é a fração liberal; 20% é a fração expressivista; 15% é a fração crítica.
Estas duas últimas frações são as mais instruídas, que tendem a perceber a própria vida e a vida social mais como invenção cultural e menos como natureza já dada. Entre elas há uma subdivisão importante.
A expressivista representa mais da metade dessas duas frações próximas. Prioriza temas identitários, como a defesa do meio ambiente, de minorias, sustentabilidade e responsabilidade social das empresas. O charme dessas posições é que elas aparecem como emancipadoras. Temas fundamentais, mas que são uma inversão das hierarquias.
Porque, num país onde tantos levam uma vida miserável, a superação da miséria deles é a luta primeira e mais importante.
As lutas pelo meio ambiente e pelas minorias são levadas a cabo em substituição a uma pauta mais abrangente que permitiria ligar essas lutas à luta geral contra todo tipo de opressão material e cultural.
Sem essa ligação, a questão da divisão da riqueza e poder, que é o que realmente importa na sociedade, fica em segundo plano e o capitalismo financeiro fica muito à vontade.
A outra subdivisão é a crítica, que representa 15% e é a menor entre todas as frações da classe média.
O que a caracteriza é menos uma posição política, mas, sim, sua atitude em relação ao mundo social que é percebido como construído, e que da mesma forma que foi construído pode ser reconstruído.
Essa postura se contrapõe à percepção conservadora do mundo que seria dada pela natureza e à qual só cabe se adaptar, adotada pelas frações majoritárias. A pequena fração crítica navega em mares turvos em luta constante contra a corrente dominante.
A frações protofascista e liberal, segundo as pesquisas do autor, representam 65% da classe média.
Estão na área do conhecimento técnico, aquele conhecimento que serve diretamente às necessidades do capital e de sua reprodução e de menor contribuição para a transformação da própria personalidade. Nesse setor, procura-se estar junto com a maioria.
Para evitar a insegurança e o risco, busca-se a segurança das certezas compartilhadas. O mundo compartilhado confere a sensação de que ele é a sua casa. Essas são as frações mais suscetíveis à influência da imprensa monopolista que articula e hegemoniza o discurso dominante e vende a esse público cativo e imbecilizado pela manipulação da realidade a sensação de tranquilidade das certezas fáceis. Essas são também as frações do moralismo.
A fração protofascita se espraia da classe média para setores das classes populares que, com o golpe de 2016, se viram com liberdade para expressar legitimamente seu ódio e ressentimento. O ódio às classes populares aqui é aberto e dito com orgulho.
O pacto antipopular
O pacto da elite do atraso com a classe média promoveu a conspiração que provocou a morte de Getúlio Vargas, em 1954, o golpe militar de 1964, que derrubou o governo de Jango, e o golpe de 2016 que tirou Dilma do poder.
Em todos os casos a justificativa, infundada, foi a corrupção. Em todas essas oportunidades, foi fundamental o papel da mídia.
No golpe contra Dilma, representou papel fundamental o conluio entre a Rede Globo (seguida pelo restante da grande imprensa) e a Operação Lava Jato. Por que isso acontece?
Na Europa e nos Estados Unidos, a esfera pública, que é a esfera da intelectualidade, das universidades, do debate das ideias e de seus multiplicadores, a imprensa e a área cultural, desenvolveu-se promovendo formas de comunicação que manifestam posições plurais (como as TVs públicas na França, Inglaterra, Alemanha, etc).
Bem diferente disso, no Brasil a esfera pública foi desde sempre monopolizada pela elite do dinheiro hoje formando o grande complexo empresarial da mídia empenhado em mistificar e falsear a realidade para um público cativo e despreparado porque sem acesso à educação e à formação de uma consciência autônoma e crítica. O seu alvo principal é a classe média.
A Globo, tendo participado da corrupção sistêmica do País desde há muitos anos, como denunciou Emílio Odebrecht em seus depoimentos à Lava Jato, traiu seus comparsas e se apresentou sem culpa, tirando onda de “virgem no cabaré”.
Como a Globo conseguiu tanto poder? Com base no seu monopólio virtual da informação, logrou manter uma sociedade imbecilizada e desinformada, subjugou os poderes da democracia representativa e cooptou o aparelho judiciário-policial do Estado e ajudou, como nenhuma outra instituição, o aprofundamento de uma crise sistêmica. Praticou crimes contra a democracia e não perdeu a concessão pública.
Este é o resultado da colonização da esfera pública pelo poder do dinheiro. É uma esfera pública para inglês ver, dominada pelo capital e sem qualquer pluralidade de opiniões. O mecanismo que viabiliza esse tipo de dominação é uma imprensa desregulada e venal e que participa do esquema elitista dominante do saque e rapina do fruto do trabalho coletivo.
A Globo é a roupagem perfeita para um capitalismo selvagem e predatório que chama a si mesmo de emancipador e protetor dos fracos e oprimidos.
O mais cruel é que as possibilidades de redenção real são tanto mais impossíveis quanto maior a influência dessa mensagem mistificadora produzida pela emissora. Como no golpe de 2016, quando a Globo ajudou a impedir a continuidade de um processo de ascensão social dos pobres que era real.

A Globo e a operação Lava Jato são os agentes principais dessa verdadeira regressão civilizacional que sacode o país deixado em frangalhos, econômica, política e moralmente.
O resultado é que a cruzada contra a corrupção promovida pela Globo, o resto da grande mídia, e pela Lavo Jato, feriu de morte nosso jovem experimento democrático e estigmatizou a bandeira da igualdade social.
E para finalizar:
Não vamos ser ingênuos. O início da Lava Jato foi a perspectiva de se acabar com o sonho dos BRICS e dos brasileiros que aspiram um país próspero para a maioria.
Para os EUA, o Brasil e a América Latina só entram como fornecedores de matéria-prima, sem acesso a progresso industrial e tecnologia de ponta. Afinal, se existe uma coisa que não muda na América Latina, é que os EUA estão por trás de todos os golpes de Estado.
* Carlos Azevedo é jornalista

https://www.viomundo.com.br/politica/carlos-azevedo-o-brasileiro-e-essencialmente-corrupto-uma-leitura-de-elite-do-atraso.html?fbclid=IwAR2yfMrkS0JFYEUlf61IAtGJg2UR9dncUaSRE0QZJazwt7xEWcQA9fqkT3E


Tudo zen?
A sabedoria Japonesa em quadrinhos, na sua mão

Ver se objetivamente e Honshin

O Yokota nos contou tambem que ver o honshin é algo como ver-se de fora de si mesmo. Tem um trecho da poesia de Machi Tawara que ilustra isto:

“Há também o eu que se espanta ao ver eu chorando, e a paixão começa a terminar silenciosamente”

Essas palavras falam que, olhando bem para si mesmo, é possível ver as emoções que estão dentro de você. Então você pode escolher tornar-se a pessoa triste, ou olhar a pessoa que está triste. O Zen convida a perguntar-se o que é que está triste?

Na linha Rinzai ensina-se que existe um Eu maravilhoso, o Eu que observa tranquilamente e sempre toma as decisões corretas.

Para mim isso se chama ser sincero consigo mesmo. Quando você está discutindo, e percebe que não está com a razão, você pode escolher entre adimitir que está errado ou tentar vencer através da lábia ou da força.

Porém o fato de você não estar com a razão não muda. Vale a pena forçar a barra e “vencer”? Bom, se for por um sorvete meu que está em jogo vale a pena lutar com todas as forças!

https://www.tudozenquadrinhos.com/post/ver-se-objetivamente-e-o-honshin



Como ajudar alguém com depressão | Coluna #129


A depressão se manifesta de inúmeras maneiras. Tristeza, desânimo, cansaço, são um dos sinais de alerta. 
Quando uma pessoa está com depressão, várias instâncias da vida são afetadas, não só o humor. Perda de peso, de apetite, insônia e, principalmente, um forte de sentimento de desesperança, que nos extremos, pode levar a pensamentos suicidas, também são sinais de que algo não vai bem. Assista ao vídeo para entender como ajudar alguém com depressão.

https://drauziovarella.uol.com.br/videos/coluna/como-ajudar-alguem-com-depressao-coluna-129/?fbclid=IwAR2VvTxuwZRrt3DGX9c52_-uhROrGh50X6qZQ3fFyn5YK38EPTxT4r73-4M



BEM-ESTAR
11.11.2014
CompraZen
AFASTANDO ENERGIAS NEGATIVAS

A energia negativa se traduz em tudo aquilo que nos faz mal, seja de ordem física seja emocional. Quando estamos impregnados com essa energia, temos a nítida impressão de que tudo se encontra num mar de obstáculos, sem contar os sintomas de ansiedade, angústia, insegurança, desânimo ou sensação de impotência nas realizações; enfim, parece que nada acontece como foi planejado.

Talvez o pior resultado da energia negativa seja a supressão da boa sorte, das oportunidades e, geralmente, a tendência a instalar o caos em nosso trabalho, nas relações afetivas e na vida familiar. Somos impelidos a pensar que a passagem dessa nuvem negra sobre a nossa vida seja sempre o desejo de nossos inimigos, mas esquecemos que, muitas vezes, nós mesmos podemos estar provocando essa situação.
Essa energia obscura pode ser gerada pelo ciúme, obsessão, vingança ou rancor – sentimentos que podem ter origem em nós mesmos ou nos outros. Até a depressão e a baixa autoestima podem provocar uma onda destrutiva que bloqueia um futuro próspero e positivo! O principal escudo protetor contra energias negativas começa, então, pelas nossas próprias ações. Não adianta apenas usar forças mágicas ou espirituais, se a pessoa não consegue se nutrir de bons pensamentos, sentimentos e boas atitudes. Assim, se mantivermos uma atitude positiva perante a vida, não haverá força negativa que invada nossos planos ou inimigos que possam nos destruir. Somente o bem pode gerar o bem.

Visualização: o melhor investimento em qualidade de vida é dedicar a si mesmo alguns minutos do dia para relaxar, praticar yoga ou buscar novos ideais que devolvam a alegria de viver. Uma técnica que considero ser bastante eficaz é o uso diário da limpeza da aura por meio do banho habitual. É simples:
- Com a cabeça debaixo do chuveiro, feche os olhos e visualize uma cachoeira de água verde brilhante banhando o corpo;
- Respire fundo e calmamente, relaxe todo o corpo;
- Enquanto sente a força e o som da água, repita mentalmente: “Eu tenho a paz, a harmonia e o amor”.
Nei Naiff – escritor, tarólogo e astrólogo

Na linha de Yoga, a Sri Chaitanya Yoga Ashram (cuja filosofia estimula as pessoas a fazerem modificações na casa e nos hábitos e incorporar a yoga no dia a dia), antes de começar a prática em si, arrumamos o ambiente, deixando-o limpinho, cheiroso e bonito. Depois tomamos um banho e colocamos uma roupa clara e confortável. Colocamos uma música suave, acendemos um incenso ou borrifamos perfume de cânfora. É muito difícil afastar energias negativas de dentro de nós se o ambiente não colabora.

Pranayama: temos um exercício de respiração que é muito útil para afastar frustrações, ansiedades e aflições que é assim:
- Sente-se com a coluna reta, feche os olhos e expire o ar dos pulmões pelas narinas com força como se estivesse tentando apagar uma vela;
- Inspire o ar lentamente pensando que está inspirando saúde, vitalidade, um novo ar, alegria e tudo de bom;
- Em seguida expire de novo pelas narinas num sopro rápido pensando que está expirando suas frustrações, ansiedades e aflições;
- Isso pode ser feito por alguns minutos e o efeito é extraordinário. Essa “mudança de ares” ajuda a afastar energias negativas que se instalam no nosso emocional e na nossa mente.

Chamar Deus: outro exercício infalível para acalmar a mente e o espírito é sentar-se bem confortável e chamar Deus no seu coração fazendo uma oração da sua fé ou recitando o mantra a seguir, específico para lhe trazer paz: OM SHANTI. Esse mantra significa paz em sânscrito e deve ser repetido várias vezes. Pode-se fazer em vários tons, cantar ou simplesmente recitar.

Boa companhia: escolher bem suas companhias ajuda muito a manter a energia positiva. Evite pessoas que tenha o hábito de falar mal dos outros. Treinar a mente para ver qualidades alheias também é uma forma de se contar com energias positivas.
Regina Shakti – professora de yoga, quiróloga e dançarina

Existem dois tipos de energias negativas, as exteriores e as interiores. As negatividades interiores são mais perigosas e nocivas à nossa felicidade do que as exteriores. Por exemplo, a raiva é uma imensa fonte de energias negativas, tanto para nós quanto para aqueles com quem convivemos. Ressentimento, reações vingativas e falta de paciência também são muito prejudiciais. Por isso Buda nos aconselha a sempre examinar nosso coração e o tipo de mente que estamos desenvolvendo. Mentes negativas atraem energias da mesma sintonia.

Atitude compassiva: o melhor método para afastar energias negativas é combater a raiva dentro de nós e cultivar atitudes compassivas:
- Comece observando sua mente, tente identificar a raiva quando ela está surgindo, antes que se torne um incêndio de grandes proporções. Ela aparece quando prestamos atenção nos defeitos de uma pessoa ou de uma situação. Devemos interromper essa atenção imprópria. Não são as pessoas que possuem defeitos, mas sim suas mentes carregadas de sentimentos, como a raiva, o apego, a inveja ou o orgulho. Esses são nossos verdadeiros inimigos e devemos combater também em nós mesmos. Da mesma forma que não acusamos um céu repleto de nuvens de desejar chuva e trovões, não deveríamos nos surpreender que uma pessoa atacada por raiva e outras desilusões aja de maneira errada. Pensando assim, poderemos nos acalmar e desviar nossa atenção para pensamentos mais positivos.
- Outra fonte perigosa de energia negativa é falar mal dos outros. Buda diz: “Não olhe para os defeitos dos outros, olhe para os seus próprios e procure corrigi-los. Não olhe para suas qualidades, olhe para as qualidades dos outros e procure elogiá-los.” Nossa fala pode ser uma arma ou um remédio para as pessoas com as quais convivemos. Se soubermos beneficiar os outros, colhemos resultados extremamente virtuosos. Esse carma positivo nos protegerá contra qualquer negatividade.
Monja Pälsang – monja da tradição Kadampa (budismo tibetano)

A energia negativa é tudo aquilo que nos tira do equilíbrio, da harmonia, da felicidade. Ela está por toda parte: nas ruas, nos shoppings, em casa... e principalmente em nós mesmos, que somos poderosas antenas que captam todos os movimentos negativos externos e transformam essas energias em depressão, tristeza, vazio, problemas de saúde, agressividade excessiva, passividade e assim por diante.

Atitudes para o bom combate: pratique pequenas atitudes diárias que acabam corroendo a negatividade, tanto a externa quanto a que acaba ficando em nós:
- Banhos com alecrim, manjericão, pétalas de rosa branca ou cor-de-rosa são excelentes para limpar energias negativas que trazemos do trabalho. O alecrim refaz a energia vital, traz saúde, autoestima e alegria. Deve-se fazer um chá forte com a erva seca em 1 litro de água e, depois de morno, deve ser jogado no corpo, inclusive na cabeça. O manjericão é a erva da calma, da tranquilidade, da paciência. Deve ser usado fresco e macerado em água morna (manipule a erva como se estivesse esfregando uma roupa na mão), principalmente por pessoas agressivas e que captam energias hostis do ambiente, ficando irritadas e com o “pavio curto”. As rosas devem ser usadas frescas, só ligeiramente amassadas na água com as mãos. Elas são responsáveis pelas sensações de bem-estar e alegria. Espantam a depressão e os pensamentos mórbidos.
- Em uma garrafa de álcool (líquido), coloque um pouco de cravo-da-índia e canela em pau e deixe descansar por 21 dias. Coloque um pouco desse álcool em um borrifador e complete com água, usando sempre essa mistura quando quiser deixar sua casa ou espaço de trabalho limpos e com pique, energia e atividade.
- Tenha em casa sempre flores frescas ou aquelas que você encontra plantadas em vasos, mas que duram pouco, como crisântemo ou prímula. Elas sugam toda a energia negativa do ambiente.
- Traga sempre uma turmalina negra em sua bolsa. Esta pedra é ótima para captar energias negativas de inveja, ciúme e agressividade e transmutá-la, jogando-as para longe de você.
Maria Tereza W. M. Modro – taróloga, astróloga e praticante do paganismo

Energias, tanto positivas quanto negativas, são frutos de nossos sentimentos e se manifestam por meio de vibrações mentais. Temos a capacidade de evitar e reciclar todo tipo de energia. Pensar positivo mesmo nas situações de caos; manter o equilíbrio e o bom humor; fazer uma pausa para relaxar; ver o lado cômico da situação e analisá-la como se não estivéssemos inseridos nela. Medite, ore, mas não se entregue ao desânimo!

Utilize a música: a música pode nos ajudar muito nesse sentido. Ela possui vibração e energias fortíssimas também para limpar as energias dos ambientes e do nosso corpo. Saiba como utilizá-la para remover a negatividade dos ambientes:
- Abra todas as janelas e portas que dão para fora do local.
- Acenda um incenso de alecrim ou de arruda.
- Coloque para tocar uma das músicas indicadas a seguir, saia do local e feche a porta que dá passagem para dentro da casa.
Hino à Alegria, coral da 9ª Sinfonia, de Beethoven
Jesus Alegria dos Homens, de Bach (assista ao vídeo abaixo)
Va Pensiero, coral de O Nabuco, de Verdi
- Deixe a música e o incenso terminarem e espere uma hora para abrir e entrar no local.
- Após a limpeza do ambiente, você poderá repetir o processo ficando dentro do local com as janelas abertas e a porta fechada para a limpeza de sua energia. Basta acender outro incenso do mesmo aroma e colocar novamente a música para tocar. Fique até acabar a música e o incenso para limpar todas as energias negativas do seu corpo.
Rosa Maria Biancardi – trabalha com relaxamento, aromas, musicoterapia, cristais , cores e ervas

Para nos mantermos bem, com alto-astral, e revigorados é muito importante que a nossa casa também esteja livre de energias negativas. A primeira coisa a fazer, então, é checar como está o ambiente de nosso lar.

Removendo a negatividade: um truque antigo é colocar uma pedra de carvão e um dente de alho num copo com água atrás da porta de entrada. O carvão possui a capacidade de condensar em si as energias negativas do ambiente. O alho atua na remoção da negatividade ambiental.
- Encha um copo comum de vidro transparente com água corrente da torneira. Coloque nele uma pedra de carvão e um dente de alho.
- Coloque o copo atrás da porta de entrada de sua casa, no chão ou sobre algum móvel ou escondido por uma planta. Atrás da porta é o local ideal porque já impede o ingresso de energias contrárias ou negativas na casa.
- Quando observar que o carvão ou o dente de alho, ou ambos, forma ao fundo, derrame a água, o carvão e o alho no vaso sanitário e dê a descarga. Sempre que o alho ou o carvão afundam no copo é sinal de que removeram as energias negativas do ambiente.

- Quando sentir necessidade, repita o procedimento.
Norma Blum - atriz, astróloga e neurolinguista

No Zen Budismo entendemos a energia negativa como o que é prejudicial, o que afasta do verdadeiro e do bem, o contrário de energia positiva. Só pensamos em energia negativa quando estamos no campo da dualidade, da dicotomia. E a melhor maneira de combatê-la é pela prática do Zazen.

Meditação zen: nenhuma energia negativa suporta Zazen – que significa literalmente za, sentar, e zen, meditação. Segue uma explicação de como praticá-lo. Essa é a essência do Zen Budismo:
- Sente-se na posição de meditação, ajuste a coluna vertebral, solte todo o ar dos pulmões, mantenha a respiração consciente, profunda e sutil, coloque a ponta da língua no palato (atrás dos dentes frontais, tocando a ponta da língua levemente no céu da boca) e mantenha os olhos entreabertos. Zazen é sentar zen; estar presente aqui e agora. Ouvir todos os sons, sentir todas as fragrâncias, perceber a temperatura, o ar e também perceber seus próprios pensamentos e os não-pensamentos. Forma e vazio.
- É bom colocar um incenso de sândalo ou de pinho.
- Sente-se de preferência de frente para uma parede lisa, num local nem muito claro nem muito escuro, nem muito quente nem muito frio, sem movimento de pessoas passando e sem muito barulho.
- As pernas podem estar na posição de lótus completa (pé direito sobre a coxa esquerda e pé esquerdo sobre a coxa direita); meio-lótus (pé esquerdo sobre a coxa direita); ou somente de joelhos, sentando-se sobre uma almofada ou pequeno banco ou numa cadeira.
- Em qualquer posição, mantenha a coluna ereta, sem se apoiar, respire com plena atenção, encontre o equilíbrio do corpo.
- Pode-se colocar também as mãos na posição cósmica (mão direita embaixo, com a palma para cima, e as costas dos dedos da mão esquerda apoiados sobre os dedos da mão direita. Os polegares ficam alinhados e tocando-se tão leve como se houvesse uma finíssima folha de seda entre eles).
- Dizem os sutras budistas que as energias negativas não suportam nem mesmo um desenho de uma pessoa em meditação. Essas energias farão de tudo para você sair da posição. Virão pensamentos na sua cabeça dizendo que é bobagem, que há melhores coisas a fazer, para não perder tempo, que nada está acontecendo. Aguente firme. E perceba todo o movimento.
- Partique zazen e transcenda o bem e o mal.

Como pregava mahatma Gandhi, “devemos ser a transformação que queremos no mundo”. Para transformar energias negativas de desafetos, guerras, violências, temos de nos transformar em energia positiva de ternura, amor, compreensão, compaixão, paz e não violência ativa. É preciso atenção plena e constante, esforço permanente. Se assim o fizermos, não apenas nós seremos beneficiados, mas todo o planeta, todos os seres, toda a vida. Mãos em prece.
Monja Coen – fundadora da Comunidade Zen Budista de São Paulo

Fonte: Dicas para Afastar Energias Negativas, Editora Caras, 2004

Acompanhe a linda versão de "Jesus, Alegria dos Homens", de Bach, na voz de Sissel Kyrkjebo:

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