domingo, 4 de novembro de 2018

Como aplicar no Tesouro Direto

https://economia.uol.com.br/financas-pessoais/guias-financeiros/guia-como-aplicar-dinheiro-no-tesouro-direto.htm


O que são títulos públicos?
Os títulos públicos são emitidos pelo governo federal, que tem como objetivo juntar dinheiro para pagar e financiar suas atividades, como educação, saúde e infraestrutura.
Assim, quando uma pessoa compra um título público, está emprestando dinheiro ao governo. O órgão responsável pela emissão dos títulos é a Secretaria do Tesouro Nacional.
Como investir
https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001577;ord=1541366256963
As pessoas podem comprar títulos de duas maneiras. A primeira delas é participando de um fundo que invista neles. Nesse caso, a compra dos títulos é realizada por um administrador profissional.
A segunda forma é comprar diretamente na Secretaria do Tesouro, pela Internet, por meio de um serviço chamado Tesouro Direto.
Para realizar essa compra direta, a pessoa precisa ter CPF (Cadastro de Pessoa Física) e estar cadastrada em um banco ou corretora habilitados a operar o Tesouro Direto. Esses operadores habilitados são chamados agentes de custódia.
O cadastro em um banco ou corretora também é necessário para quem investe por meio de um fundo.
Nele, deve ser informado nome, profissão, endereço e entregues cópias do RG, CPF e comprovante de residência do investidor.
Assim, a corretora abre uma conta desse investidor na BM&FBovespa. Cada instituição determina qual a quantia mínima para a abertura da conta.
Veja neste link a lista destas entidades.
Para quem opta pela compra direta, depois de feita a inscrição em um destes bancos ou corretoras, o investidor recebe uma senha para ter acesso à operação pela Internet.
A negociação é feita no site do Tesouro Direto.
Os títulos públicos podem ser prefixados (nesse caso, o rendimento é definido no momento em que é feito o investimento) ou pós-fixados (isso significa que a rentabilidade está associada a algum índice, como o IPCA ou a taxa Selic, por exemplo).
Quando comprados, os títulos têm um prazo de vencimento, que significa o dia em que o governo pagará ao investidor o dinheiro que ele investiu.
O investidor também pode negociar os títulos antes dessa data, mas receberá o valor de mercado do título naquele momento, que pode ser maior ou menor que o estipulado para o vencimento.
No caso dos títulos, o dinheiro é depositado ou retirado na conta do investidor no dia seguinte ao da ordem de venda ou compra.
Qual o grau de risco desse investimento?
Os títulos são investimentos de baixo risco, pois o governo é o credor. Mas, se o investidor vender seus títulos antes da data de vencimento, o ganho ou a perda estará sujeito ao valor de mercado do título naquele momento.
Na renda fixa, a regra de rentabilidade é sempre definida no momento do investimento. Uma das principais características dos títulos prefixados é que o investidor sabe exatamente a rentabilidade que irá receber se mantiver o título até a data de vencimento. São mais indicados em momento de queda da taxa de juros.
Já os títulos pós-fixados têm sua rentabilidade relacionada a um indexador que varia ao longo do tempo. Assim, a rentabilidade da aplicação é composta pela variação de um indexador (IPCA ou Selic) e mais uma taxa de juros prefixada.
Essa característica de ter um indexador que varia conforme a variação da inflação (IPCA) ou da taxa de juros básica da economia (Selic) diminui o risco desses títulos, visto que o investidor fica protegido da inflação ou da variação da taxa de juros.
No site do Tesouro Direto há um questionário para ajudar o investidor a escolher qual é o título mais adequado aos seus objetivos.
Taxas
As operações com títulos públicos estão sujeitas ao pagamento de taxas. Verifique isso antes de escolher sua aplicação.
As taxas cobradas no Tesouro Direto são diferentes das taxas cobradas pelos fundos. As taxas cobradas no Tesouro Direto são:
Taxa de custódia: é uma taxa de 0,3% ao ano sobre o valor dos títulos, cobrada pela BM&FBovespa, referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos.
Esta taxa é cobrada semestralmente, no primeiro dia útil de janeiro ou de julho, ou na ocorrência de um evento de custódia (pagamento de juros, venda ou vencimento do título), o que ocorrer primeiro. A taxa é cobrada proporcionalmente ao período em que o investidor mantiver o título. 
Taxa de serviços: Bancos e corretoras também podem cobrar taxas de serviços livremente acordadas com os investidores. Há instituições que não cobram nenhuma taxa, enquanto outras cobram a cada operação realizada. As taxas cobradas pelas instituições estão disponíveis para consulta no site do Tesouro Direto. O investidor deve confirmá-las no momento da contratação.
Imposto de Renda
Há incidência de Imposto de Renda em função do prazo da aplicação (quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menor será a alíquota cobrada).
Veja a tabela:
·Até 180 dias: 22,5%
·De 181 a 360 dias: 20%
·De 361 a 720 dias: 17,5%
·Acima de 720 dias: 15%
Se o dinheiro ficar investido por um prazo inferior a 30 dias, haverá também cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Qual o valor mínimo para investir?
A quantidade mínima de compra é a fração de 0,01 título, ou seja, 1% do valor de um título, desde que respeitado o valor mínimo de R$ 30,00.
O valor máximo para aplicação é R$ 1 milhão por mês.
Não há limite financeiro para venda.
Dúvidas e sites úteis
Mais informações sobre investimentos em títulos públicos podem ser obtidas no site do Tesouro Direto.
No site da BM&FBovespa também há informações sobre o Tesouro Direto.
Fontes
Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais)
CVM (Comissão de Valores Mobiliários)
Corretora Ágora
FEI (Faculdade de Engenharia Industrial)
PUC (Pontíficia Universidade Católica de São Paulo)
Secretaria do Tesouro Nacional
XP Investimentos

Mais informações em Site do Tesouro Direto  http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto

ou no Site da BM&F Bovespa: http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/como-investir/como-investir-em-tesouro-direto/
Como fazer seu pé de meia

Quer se aposentar aos 65 anos? Saiba quanto precisa poupar e como fazer isso com Títulos do Tesouro


https://www.uol/economia/especiais/aposentadoria-previdencia-tesouro-direto.htm#como-fazer-seu-pe-de-meia


Por que usar o Tesouro Direto para a aposentadoria?
O planejador financeiro José Faria Junior recomenda o investimento no Tesouro Direto para acumular recursos para aposentadoria por três motivos: oferece papéis com bom retorno, protege contra a inflação e tem custo baixo.

Tem os custos muito menores que Renda Fixa, onde são aplicados os fundos da Previdência Privada, planos tipo PGBL e VGBL oferecidos por instituições financeiras cobram em geral taxas de administração e carregamento superiores a 2% ao ano, no Tesouro Direto o único custo é a custódia, de 0,3% ao ano. Mas é importante procurar uma corretora que não cobre taxa de corretagem, algumas instituições chegam a cobrar até 0,5% ao ano.

Aqui lista de corretoras credenciadas no Tesouro Direto e as taxas cobradas:

Aqui, como aplicar no Tesouro Direto
https://economia.uol.com.br/financas-pessoais/guias-financeiros/guia-como-aplicar-dinheiro-no-tesouro-direto.htm

A previdência privada só vale a pena em duas situações específicas, segundo Faria Junior: aproveitar a dedução do imposto de renda do PGBL que vale a pena só para quem declara pelo modelo completo, ou para diversificar os investimentos, buscando produtos de renda variável.

A renda variável é interessante em um cenário de juros baixos na renda fixa. Mas é muito arriscado aplicar em ações diretamente, por isso é melhor aplicar por meio de um fundo.

A recomendação do Faria Júnior é do valor economizado para a futura aposentadoria, colocar 20% em fundos e 80% no tesouro direto.

Para quem começa a poupar mais novo, é recomendado aplicar em títulos do Tesouro Nacional  NTN-B principal com o maior prazo possível, na época do artigo era 15 de maio de 2045. Também chamada de NTN-B (ou Tesouro IPCA+) principal 2045. A NTN-B Principal oferece proteção à inflação porque rendem o IPCA mais uma taxa de juros nominal, também chamada de cupom, que é conhecida no momento da compra do título. Na época do artigo o cupon da NTN-B principal 2045 estava em torno de 5,4% ao ano.

A taxa nominal de 5,4 ao ano equivale a juro real de 4,5% ao ano.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

QuietComfort 15 ear cushion kit 

 

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12 instituições que oferecem cursos gratuitos online
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Aprenda novas habilidades de maneira gratuita com as melhores universidades do Brasil e do mundo.

É sempre hora de aprender algo novo ou aprimorar-se profissionalmente. Melhor ainda se for sem custo. Em 2009, apenas 5,7% dos brasileiros entre 25 e 64 anos continuavam buscando melhorar o seu nível educacional, segundo a pesquisa: Síntese dos Indicadores Sociais. Oito anos depois, na mesma pesquisa começamos a ver um cenário mais promissor. Os dados de mobilidade educacional mostraram o impacto do processo de expansão educacional, com o nível de instrução dos filhos consideravelmente superior ao de seus pais (70%). Mas ainda com algumas barreiras de cor e gênero.
Há uma barreira intergeracional mais intensa para se alcançar o ensino superior entre pessoas negras ou pardas em relação às brancas e entre os homens em comparação às mulheres. Os números se tornam ainda mais expressivos em relação às mulheres com filhos. O IBGE mostrou que 90% das mulheres jovens com filhos deixam de estudar. Ou seja, apenas uma em cada dez brasileiras entre 15 e 29 anos com pelo menos um filho continua estudando. Os motivos podem ser muitos desde restrições financeiras, a falta de tempo e disponibilidade para cuidar das crianças.
Por isso, destacamos 10 instituições de renome que oferecem cursos de qualidade, de forma gratuita e remota a partir de seus portais. Os cursos vão desde a área de tecnologia, a negócios e comunicação. Geralmente, as únicas taxas  Confira:

knight Center for Journalism in the Americas

Ensino a distância, treinamentos e uma biblioteca virtual. Tudo isso em um formato trilíngue com professores em inglês, português e espanhol, que já treinaram mais de 80.000 profissionais de todo o mundo. Esse é o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin.
Um programa de extensão e capacitação profissional para jornalistas na América Latina e no Caribe. Super atual, o Knight Center é referência em cursos de inovação na área de Comunicação, como visualização de dados e infografia, storytelling, raspagem de dados, checagem e vídeos. A fundação sem fins lucrativos tem o objetivo de elevar os níveis da profissão no continente e contribuir com a liberdade de imprensa. Incrível né?! Confira as turmas disponíveis no site da instituição!

Universidade de São Paulo (USP)

A Universidade de São Paulo (USP), uma das principais do País, utiliza algumas plataformas como o Sistema Apolo, a Veduca e a Coursera para disponibilizar cursos gratuitos em todas as áreas. A oferta vai desde disciplinas mais tradicionais, como história, direito, economia, geografia, política, filosofia e ciência política a propostas inovadoras para o mercado de trabalho em parceria com outras instituições. Como criação de startups, planejamento de projetos, marketing digital, econometria e design de interface. Em geral, para prestar a avaliação e receber o certificado o custo é de apenas R$49. Encontre o que mais tem a ver com você!

Sesi e Senai

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Social da Indústria (Sesi) têm disponível uma série de cursos totalmente gratuitos na plataforma de cursos EaD. As atividades são excelentes para quem deseja impulsionar a carreira e carimbar mais conhecimentos no currículo. Há Lógica de programação, Indústria moveleira: máquinas , EPIs e EPCs, Redação administrativa e Segurança do trabalho.

Stanford

A conceituada universidade de Stanford tem uma plataforma inteira com cursos gratuitos para alunos do mundo inteiro. Os cursos são em inglês e fazem parte da escola de negócios, engenharia, ciências humanas, direito, medicina, educação e saúde.

Universidade Estadual Paulista (Unesp)

No site Unesp aberta você encontra cursos nas áreas de exatas, humanas e biológicas. Além de e-books gratuitos Os cursos são livres, mas não há certificação. Dá para aprender desde Ligações Químicas a Cartografia.

Harvard

Você não precisa ir até os Estados Unidos para fazer um curso na Universidade de Harvard. É possível começar agora mesmo em um dos 151 cursos online de Harvard, uma das melhores universidades do mundo, e de graça! Os temas vão desde arte e design, Ciência da Computação, Ciência de Dados, Ciências Humanas, Educação e Desenvolvimento Organizacional, Economia e Finanças, Engenharia e Gestão e Negócios. A versão gratuita não emite certificado – que deve ser pago em dólar – mas ainda sim você fica com o conhecimento que é o mais importante. Acesse o site da universidade e inscreva-se para começar! :)

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

No site e-Unicamp dá para encontrar conteúdos digitais gratuitos oferecidos pela universidade. Os vídeos de aulas abordam temas como Língua Portuguesa, Educação Física, História e vários outros. São 36 no total. Além do site próprio, para quem curte as áreas de matemática, física e clima, no Veduca a Unicamp oferece cursos de Cálculo I e III , Física Geral I e II; e Mudança Climática Global.

Universidade de Brasília (UnB)

A UnB decidiu disponibilizar um curso de Bionergética, no Veduca, já que são poucos os cursos online da área de Ciências Biológicas. A UnB é a primeira universidade federal a oferecer um programa do gênero no Brasil, em format deMooc (sigla em inglês para curso aberto, online e em massa).

Escola do Trabalhador

A Escola do Trabalhador, no Distrito Federal, oferece 21 cursos profissionalizantes online com certificado eletrônico emitido pela Universidade de Brasília (UnB). Todos eles são gratuitos, com total de 40 horas e podem ser feitos pelo celular. Entre as áreas de interesse estão Produção industrial, Meio ambiente, Segurança, Gestão e negócios e Produção cultural.

Universidade Federal Fluminense (UFF)

A UFF tem o Portal de videoaulas com áreas bem diversas, da Administração à Segurança Pública. Dá para assistir aulas de Física e até de Medicina.

Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Para quem gosta de Economia e Administração, a FGV oferece cursos online sem custos. Mas também há conteúdos em outras áreas, como Educação e História, todos de curta duração (até 40 horas).

Conhece mais algum curso que gostaria de incluir na lista? Comente e divida com a gente!

Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é responsável pelo Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.
 
http://blog.estantevirtual.com.br/2018/05/07/12-instituicoes-que-oferecem-cursos-gratuitos-online/

Kroton Educacional: ‘Em termos de educação pública nunca experimentamos um inimigo com uma força social tão concentrada como esse’

A Kroton Educacional, maior empresa de educação do mundo, vai se tornar ainda maior. Na última terça-feira (24) saiu o anúncio de que a companhia assumiu o controle da Somos Educação – dona do sistema de ensino Anglo e de editoras como a Ática e Scipione, grandes produtoras de material didático. A compra, no valor de R$ 4,6 bilhões, ainda está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que regula a concorrência. É a segunda aquisição da Kroton – que controla grande parte do mercado privado de educação superior no país, com 877 mil matrículas em um universo de 6 milhões de vagas – na educação básica em menos de um mês.
A Kroton já havia anunciado em abril a compra do colégio Leonardo da Vinci, no Espírito Santo. Segundo a empresa, com a aquisição da Somos, a fatia de sua receita que vem do ensino básico deve aumentar de 3% para 28%, consolidando uma guinada em direção à educação básica.
Allan Kenji, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que estuda a atuação dos grupos empresariais na educação e sua vinculação com o capital financeiro, explica os fatores que determinaram essa mudança de prioridade da Kroton e fala sobre como esse movimento está relacionado às alterações na educação básica no Brasil, com a reforma do ensino médio e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e também com o processo de financeirização do capital na educação.
Allan Kenji concedeu entrevista à André Antunes do portal EPSJV/Fiocruz, 27-04-2018.

Eis a entrevista.

O que a compra da Somos Educação pela Kroton representa no sentido da ampliação do interesse das grandes empresas de educação, hoje predominantes na educação superior, na educação básica?
Na minha pesquisa tenho mapeado os grupos que têm capital aberto e identificado o comportamento dos fundos de investimento, e também as fusões e aquisições que aconteceram no setor da educação. Em 2007 todos os grupos educacionais começaram a abrir ações na Bolsa de Valores e a captação se intensifica muito. O período que vai de 2008 a 2013 é o ápice desse processo. É quando acontece o grosso das aquisições na educação superior, até a Kroton assumir sua forma atual com 126 instituições de educação superior que, juntas, oferecem algo em torno de 870 mil matrículas. Isso sem contar as instituições de educação básica. A partir de 2013 a gente viu esse movimento diminuindo. Isso tem a ver um pouco com a crise claro, mas também com o limite das barreiras competitivas entre os próprios grupos.
Quando a gente pega os 10 maiores grupos da educação superior hoje, eles têm juntos mais de 40% de todas as matrículas. E esse grau de concentração começa a esbarrar em certos limites. O impedimento da fusão entre Kroton e Estácio em junho de 2017 pelo Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] direcionou a Kroton para a educação básica. Tanto é que o principal executivo da empresa, Rodrigo Gallindo, admitiu no contexto da recusa do Cade que, de fato, a educação superior no Brasil estava saturada, e a Kroton deveria se voltar para a compra de empresas da educação básica.
Por outro lado, é um cenário de redução do fundo público. O Estado encontra limites para transferir recursos do fundo público para o capital. Tanto é que o Fies [Fundo de Financiamento Estudantil] teve que ser reestruturado novamente.
Como essas mudanças no Fies impactam essa dinâmica de mercado?
Em 2017 já tinha sido totalmente reformulado e em 2018 passou por mais mudanças para torná-lo mais restritivo. A inadimplência do Fies é bastante elevada, e aí o governo começou a restringir a porcentagem de novos contratos que as empresas poderiam fazer. Isso começou no governo Dilma, com o aumento da taxa de juros do Fies. No período de maior crescimento do Fies, entre 2011 e 2014, a taxa de juros chegou a 3,4%, que é praticamente juros negativos, já que a inflação era muito superior. O ápice foi em 2014, com 731 mil novos contratos. De 2014 para o ano seguinte já cai pela metade - 315 mil contratos - porque a taxa de juros vai para 6,5%. Então por um lado a taxa de juros do Fies subiu e, por outro lado, o governo começou a restringir as possibilidades de adesão, tanto dos estudantes quanto das instituições de educação superior, para manter a taxa de novos contratos mais baixa. Isso significa um endividamento brutal da juventude. Inclusive uma das políticas do governo Temer que é talvez das mais dramáticas é a proposição de vinculação do desconto em folha para o pagamento do Fies. Antes havia um período de carência, que permitia que, em tese, o estudante entrasse no mercado de trabalho para, depois, começar a pagar o empréstimo. O governo Temer reduziu para zero: se formou, começa a pagar. E até 30% do salário poderia ser automaticamente retido. Agora em 2018 isso entrou em vigor - e é dramático.
O que essa compra significa para a Kroton e sua inserção nesse mercado?
Hoje, na Bolsa de Valores, têm seis grupos que prestam serviços educacionais, pelo menos. Quatro deles são de educação superior: Kroton, Ser Educacional, Ânima e Estácio de Sá. Dois são exclusivamente sistemas de ensino e editoras, que é Bahema e o Somos. O que a Kroton fez foi adquirir todas essas ações da Somos, que é a majoritária da Tarpon, que é um fundo de investimento, o mesmo que controla a BR Foods.
A Kroton já era gigante. Ela tem o dobro do tamanho de qualquer outro grupo. Em termos de ativos financeiros, a Kroton é o maior grupo educacional do mundo. Na educação superior são 877 mil matrículas, mas esse dado é de 2016. Praticamente o dobro da Estácio de Sá, por exemplo, que tem 436,3 mil. A terceira é a Unip, que tem 403 mil matrículas, num universo de 6 milhões de matrículas no setor privado.
O que esperar da Kroton na educação básica?
A Kroton sempre atuou na educação básica. Ela é o antigo grupo Pitágoras, fundado em 1966. O que a gente está vendo agora é uma mudança de estratégia da Kroton. A minha hipótese, pelo que eu tenho visto dos relatórios para os acionistas, é de assumir o chamado mercado premium, que são as escolas de renome cujo público-alvo são as frações mais altas da classe trabalhadora ou a burguesia com mensalidades de R$ 2 a 3 mil por mês, e controlar o mercado de editoras e sistemas de ensino.
Na educação básica a forma de operação dessas instituições vai ser muito diferente do que foi na educação superior, onde esses grupos controladores procuraram ofertar diretamente as matrículas. Vamos olhar para a Somos Educação, o grosso dela são editoras: Ática, Scipione, Saraiva, Atual, Saraiva Universitária, Saraiva Jurídica. E o grosso do Somos é o mercado editorial. E ele não é o único que a Kroton tem pensado em comprar. O grupo Santillana, por exemplo, que ela está negociando nesse momento, também envolve operações com editoras. São editoras e sistemas de ensino.
Quando a gente olha para a educação superior, 75% das matrículas são privadas. Na educação básica, dos 44 milhões de estudantes, 82% estão nas instituições públicas. A minha hipótese é a de que esses grupos controladores vão adquirir os sistemas de editoras e os sistemas de ensino, porque o foco deles é o fundo público, seu mercado são as escolas de educação básica públicas.
A editora Ática e a Scipione são duas gigantes de material escolar. O maior mercado comprador de material didático são as escolas públicas. Mas ele também tem o Ph, o Sigma, que são sistemas de ensino. São todos sistemas de ensino que vendem a preparação das aulas, os conteúdos, o planejamento, o currículo. Atualmente já há entrada [desses produtos] nas escolas públicas. O Instituto Ayrton Senna trabalha muito com isso, principalmente no Rio de Janeiro tem muita discussão sobre os sistemas de ensino, que aparece nas discussões de sistemas apostilados.
Há chance de que a fusão seja vetada pelo Cade, como a compra da Estácio pela Kroton?
Não, porque no caso da educação básica as escolas ainda são muito descentralizadas, são instituições ainda tipicamente familiares, relativamente pequenas. A Kroton não vai passar ainda a ser um grupo com uma presença gigante na educação básica, até por essa escolha de ir para as escolas premium, mas o estratégico mesmo eu penso que são as editoras. Porque eu acho que deve ser adotado esse modelo mais próximo das escolas charter dos Estados Unidos, em que a estrutura e o financiamento continuam públicos, mas a administração da escola, o sistema de ensino e os materiais utilizados são privados. E a participação do Estado é transferir diretamente recursos para o capital.
Quais devem ser as repercussões da entrada desse grande capital para a educação básica?
Isso certamente muda o sentido estratégico da educação básica. Nesse sentido acho que se coaduna muito com a reforma do ensino médio e a BNCC. Quando a gente olha o que o capital tem demandado da escola fica claro como esses projetos estão articulados, embora pareçam isolados. A Confederação Nacional da Indústria [CNI] em 2010 lançou um documento dizendo o que ela queria da formação da força de trabalho no Brasil: que os estudantes soubessem ler e escrever, que fizessem as quatro operações matemáticas básicas e que compreendessem a lógica formal simples, ou seja, entendessem que uma coisa tem uma causa e um efeito. E que isto deveria ser o centro de todos os projetos de reforma que deveriam ser encadeados pelo governo a partir dali.
A reforma do ensino médio era uma demanda estratégica para esses grupos controladores da educação superior. A preocupação deles durante toda a década foi o travamento de matrículas de desistentes no ensino médio. Porque se você não consegue habilitar os estudantes no ensino médio, eles não têm diploma para continuar a educação no âmbito superior. Então era um fluxo de mercado para eles. E eles demandavam que o ensino médio aprovasse de forma automática, que fosse flexibilizado, que fosse destituído de um sentido próprio e servisse mesmo como um meio de trânsito entre o fundamental e a compra de vagas nas instituições superiores privadas.
A BNCC vem completar e, de fato, instituir que a dimensão do conhecimento já não é mais um requisito escolar. Daí, se entende a substituição do conhecimento pelas competências, o que talvez seja um dos traços mais duros da BNCC. Minha hipótese é que ela flexibiliza o suficiente para que se consiga ofertar para diferentes escolas e para diferentes frações de classe diferentes tipos educativos. Você pode ter essa escola premium para formar as frações que vão dirigir empresas e negócios, e ter para diferentes tipos de escola pública um direcionamento das habilidades das competências. Para nós, isso significa a possibilidade de eles ofertarem diferentes tipos de sistemas de ensino, conteúdos e materiais didáticos para diferentes frações de classe.
Como os fundos de investimento têm participado desse processo e quais os efeitos da ampliação da participação desses fundos na educação brasileira como um todo?
Na Kroton temos alguns fundos de investimento que chamam mais atenção: o JP Morgan, Invesco, Coronation, Capital World e o Black Rock. Agora, esses são só alguns. A Kroton sozinha tem 1.758 investidores institucionais hoje. Um investidor institucional é um fundo de investimento, um fundo de pensão, uma seguradora, um banco que compra e vende na Bolsa de Valores os ativos da companhia. Só um desses fundos, o Black Rock, tem ativos da Kroton, é um dos maiores investidores dela, mas também tem ativos em 308 empresas ao redor do mundo. Então você tem situações como essa da Tarpon, que era dona da Somos, mas também é dona de uma parcela da BR Foods. Então quando a gente olha hoje para o ensino superior e olha para a estrutura dos fundos já não dá mais para pensar a educação de maneira isolada porque ela é um negócio entre outros tantos.
E porque esse dado é importante?
Porque em termos de educação pública eu penso que nunca experimentamos um inimigo com uma força social tão concentrada como esse. Uma coisa era a gente enfrentar donos de instituição privadas associados por meio de suas entidades federativas brigando contra a educação pública. Outra coisa é você pegar uma instituição que domina 300 multinacionais. E que tem a capacidade de determinar o ritmo da economia. Ainda por cima, o que eu tenho identificado na minha pesquisa, é que esses fundos sequer são donos de só uma instituição. O [fundo de investimento] Oppenheimer era dono ao mesmo tempo da Estácio e da Kroton. O Black Rock era dono da Estácio, da Laureate e da Kroton.
O que a gente está vendo é que a educação é secundária em relação à valorização do próprio fundo. Se é educação ou se você está vendendo cerveja, tanto faz, porque o serviço em si não é sequer de conhecimento dos gestores dos fundos. Não interessa para eles qual é o serviço que está sendo ofertado. E, no entanto, são forças sociais concentradas com tamanha inserção em outros setores da economia brasileira que têm a capacidade de impor as políticas no âmbito do Estado. É o que a gente chama de se fazer Estado. Por isso eles podem fazer as próprias leis, alterar as regulações.
Como o Estado vem operando para favorecer a formação dos grandes grupos?
Há mudanças ao longo de todo o período desde o governo Itamar Franco até hoje na educação superior que vai tornando-a mais flexível no sentido do que se compreende como universidade, a pesquisa vai se distanciando do ensino. Isso quer dizer que a universidade vai deixando de ser o modelo predominante. Quando a gente olha os dados da educação superior, o grosso dela está baseado nas faculdades e centros de ensino. A ideia de universidade é algo conservado em algumas universidades públicas estaduais e federais. Quando a gente olha o que está sendo produzido em termos de pesquisa hoje no Brasil e o que está sendo ofertado em termos de ensino a gente vê que são dois movimentos casados. Mas isso só pode ser feito porque esses capitais tiveram capacidade de, no âmbito do Estado, se fazer Estado. Ou seja: definir as leis de operação de mercado, do que é possível o que não é.
Além das alterações na forma de Estado e na própria legislação, a LDB principalmente, tem outras alterações no mercado financeiro que são imprescindíveis para o tipo de acumulação que foi feita por grupos controladores. Esses grupos, por exemplo, são isentos de impostos sobre renda porque conseguiram alterações na legislação de fundos com as leis de inovação tecnológica. Hoje, no Brasil, estão isentas as operações que são consideradas investimentos em ciência e tecnologia. Todos esses investimentos 'grossos' de fundos na educação superior privada são isentos de tributação sobre renda. Quer dizer, essa mudança na legislação foi imprescindível e quem articulou isso foram os próprios grupos, junto ao governo.
Isso se deu principalmente no governo Lula. Talvez essa seja a lição mais dura para nós. No governo Lula, esses capitais fizeram a própria legislação através da Andima [Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro], e eles próprios emitiram a documentação sobre a regulação da operação dos fundos.
Isso tem a ver com o projeto desenvolvimentista, das campeãs nacionais?
Exatamente. Quem articulou esse movimento de financeirização como chamamos foi a construção civil, o agronegócio. E todos os setores experimentaram isso no ciclo de crescimento do governo Lula. Entre meados de 2006 até 2011 tem um ciclo de crescimento que permitiu que uma quantidade gigantesca de capitais se acumulasse na forma monetária. E esses capitais foram encontrando formas de se investir. Agora, os fundos de investimento hoje no Brasil são predominantemente estrangeiros. Quer dizer, é capital estrangeiro que vem no Brasil participar da acumulação capitalista, sai daqui sem nenhuma tributação sobre renda, e ainda recebe outros tipos de isenção ou benefícios tributários ofertando matrículas, como no caso do Prouni e do Fies.
Além do Prouni e do Fies, o mais chamativo programa atende pelo nome de Proies [Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior]. Ele permite a uma instituição converter até 90% de suas dívidas em emissões de títulos do Tesouro. Ou seja, emitir dívida pública. Desde que elas convertam isso em matrículas no ProUni. Os autores que analisam o ProUni têm identificado que são as matrículas de pior qualidade. As universidades têm autonomia para definir quais são as vagas que elas ofertam pelo Prouni, então a gente imagina que um estudante está cursando medicina, engenharia... Não é assim. São cursos sequenciais, de curta duração, de dois a três anos, normalmente de habilitação tecnológica. Parte dessas matrículas é feita a distância, com material muito fragmentário.
Como movimento de avanço do capital financeirizado hoje expresso na expansão da Kroton sobre a educação básica se articula com as formulações de organizações multilaterais, como a OCDE e Banco Mundial, que recentemente lançou um relatório com recomendações para a educação e para a saúde?
O Banco Mundial, por exemplo, é composto por vários braços. Um desses é o que a gente chama de IFC [Corporação Financeira Internacional], que funciona oferecendo crédito. Ele foi primordial para a expansão da educação superior nesses moldes no Brasil. Só nesses grupos, ele fez cinco operações estratégicas: três para a Estácio, uma para o grupo Laureate e uma para o grupo Ser Educacional, envolvendo valores de até US$ 150 milhões. Tudo para poder aumentar o grau de concentração a partir da compra e venda de instituições. Não é só fornecendo o aparato ideológico e que fundamenta esses projetos sobre a gestão pública, sobre a reforma do Estado, como a gente vê nesse documento ‘Um Ajuste Justo’ que o Banco Mundial lançou pra apoiar o ajuste fiscal. Além disso, há o braço financeiro dessas organizações multilaterais atuando. E não é à toa, mais de 90% desses fundos de investimento são de capitais estrangeiros e são os fundos que participaram da crise econômica nos Estados Unidos em 2008. O interesse dessas instituições multilaterais está casado com o fato de que se trata de capitais internacionais se valorizando no Brasil. O mesmo processo que tem acontecido com portos, aeroportos, estaleiros.
Isso tem consequências para a educação como um todo...
O que a gente tem visto é um aprofundamento do lugar do Brasil na divisão internacional do trabalho. Eles conseguem pegar a gente por um lado pela oferta desse ensino, nesses moldes, uma educação fragmentária, rarefeita, em que a dimensão do conhecimento já não faz mais parte de nenhum processo de escolarização, é substituído por outras concepções, como competências, habilidades socioemocionais; e por outro lado nos pegam pela produção científica. A Capes contratou uma subsidiária da Pearson, a maior editora científica do mundo, dona da Wizard, dona de várias instituições, para fazer um levantamento da situação da pesquisa hoje no Brasil. E eles identificaram que nenhuma pesquisa é produzida nessas instituições privadas. O grosso da pesquisa hoje no Brasil acontece em instituições públicas. E das 20 maiores companhias com interesse na produção científica brasileira, só uma é brasileira, que é a Petrobras. Tirando a Petrobras, 15 instituições são farmacêuticas ou bioquímicas. O que demonstra como o lugar do Brasil hoje na ciência mundial é o de pegar a nossa fauna e a nossa flora, catalogá-las, e enviar para os centros de pesquisa internacionais utilizem esses conhecimentos para produção de medicamentos. Que nós compramos de volta pelo SUS. Então a gente tem a Bayer, a Novartis, a Pfizer, a Roche, Johnson & Johnson. Por um lado acho que a gente tem visto um ajuste da produção das universidades públicas que produzem pesquisa, se readequando para as parcerias público-privadas, para uma relação cada vez mais estreita com esse tipo de produção científica e tecnológica e, por outro lado, um braço articulado com o ensino que é a formação para a juventude que é essa no modelo que a gente tem visto nesses grandes grupos.
E agora se voltando para a formação básica.
Exatamente. Os dois ajustam a formação da força de trabalho com o tipo de lugar que a gente tem na produção científica mundial. É o desenvolvimento do subdesenvolvimento. Chega a casos grotescos: o braço de agrotóxicos da Bayer é um dos mais relacionados com as universidades brasileiras, e o outro é o braço que vende quimioterápicos. Eles envenenam e depois vendem o quimioterápico. Não seria possível isso sem SUS, sem educação básica pública. Por isso que essas formas de articulação entre o fundo público e os interesses desses grandes capitais é fundamental.
Mas o eixo é a questão da dependência. A nossa tendência seria pensar que eles estão destruindo a educação. Não estão. Estão adequando a educação ao tipo de lugar que foi determinado para o Brasil no mundo. O que a CNI está demandando em termos educacionais hoje pra formação da força de trabalho? Saber ler e escrever e saber que se eu solto um objeto ele cai no chão. O tipo de educação básica que eles estão dispostos a ofertar, seja na educação básica ou superior, e na infantil também, é perfeitamente alinhada a um projeto de país subordinado. Quando a gente olha a questão da dependência a gente vê que não são erros, não são pontos fora da curva; é um eixo articulador que ao longo desses governos foi se aprofundando e, agora sob o governo Temer, ganhou muito mais intensidade.



http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/578444-kroton-educacional-em-termos-de-educacao-publica-nunca-experimentamos-um-inimigo-com-uma-forca-social-tao-concentrada-como-esse