quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015


Até que ponto vale a pena insistir em uma relação problemática?

Heloísa Noronha
Do UOL, em São Paulo
24019
Ouvir texto Imprimir Comunicar erro
  • Miki/UOL
    É preciso avaliar quando um parceiro está prejudicando a sua vida É preciso avaliar quando um parceiro está prejudicando a sua vida
Todos nós temos defeitos. E, para fazer uma relação afetiva dar certo, precisamos aprender a lidar com eles –os nossos e os do par. Alguns tipos de comportamento, porém, costumam não só testar os limites da paciência como transformam a rotina diária em um verdadeiro campo minado. As atitudes do parceiro problemático acabam prejudicando a vida do casal de uma forma que, em muitos casos, ela se torna insustentável.
Cabe à parte mais equilibrada emocionalmente decidir se segue ou não em frente com a história. Não estamos falando aqui de casos que envolvem problemas de saúde, como depressão e dependência química ou alcoólica, mas, sim, de questões como endividamento, consumismo, mania de grandeza, dependência excessiva dos pais. Perturbações que, em princípio, podem ser toleráveis, mas que, com a convivência, passam a envenenar os envolvidos. Muitos casos podem ser revertidos ou tratados, mas a pessoa precisa querer mudar.
Para a terapeuta de casal e psicopedagoga Mônica Hoehne Mendes, de São Paulo (SP), conviver com uma pessoa problemática é bastante complexo. "Sugiro, antes de mais nada, perguntar a si mesmo qual a disponibilidade e estrutura emocional que se tem para conviver com as questões do outro", diz. Como exemplo, ela cita alguém que tem dificuldade para se manter no emprego, pois está sempre sonhando alçar voos maiores: quem vive com essa pessoa tem ou quer ter condições e disposição para bancar a vida a dois?
Ampliar

Oito sinais revelam que você está em uma relação só por comodismo9 fotos

1 / 9
Você vive mesmo um relacionamento satisfatório ou ao avaliar o assunto de maneira sincera acaba pesando prós e contras que nada têm a ver com o amor? Especialistas apontam as situações mais comuns que indicam que o comodismo tomou conta da sua vida amorosa (e que o futuro do seu relacionamento depende de circunstâncias que não incluem, necessariamente, o afeto). Por Heloísa Noronha, do UOL, em São Paulo Bianca Lucchesi/UOL
Os problemas nem sempre causam incômodo no início do relacionamento, quando tudo é movido pela atração e pela emoção. Com o arrefecimento da paixão, a relação entra em uma rotina e os casais precisam encarar as mazelas do dia a dia. O encantamento some e cede lugar à realidade, revelando os defeitos. Ceder e aprender a lidar com parte menos bonita do par é primordial para a convivência, mas quando há questões como consumismo desenfreado e pavio curto, altas doses de abnegação, compreensão e doação serão exigidas.
A tolerância é elástica, ainda mais porque, de acordo com a psicóloga Heloisa Schauff, de São Paulo (SP), a maioria de nós busca por um par. "Preferimos fazer parte de um casal a estarmos sós. Por isso que, mesmo percebendo que a relação não está legal, muitos ficam unidos. As pessoas cultivam a fantasia de que seu amor e dedicação podem mudar o outro, e que, assim, conseguirão adaptá-lo ao seu mundo", fala.
Para a psicóloga e sexóloga Jussania Oliveira, de Americana (SP), o ser humano é extremamente adaptável e dotado de inteligência suficiente para ser capaz de reconhecer quando e por quais motivos precisa mudar. "Mas o maior empecilho é, na maioria das vezes, desejar de fato essa mudança. É necessário muita disciplina e determinação para conseguir o êxito", fala.
Não ter recebido uma educação com limites na infância gera consequências desastrosas para a vida a adulta, como a dificuldade de se livrar de comportamentos prejudiciais aos outros. "Por isso é bom sempre avaliar a importância do relacionamento em sua vida, para analisar se vale a pena o investimento no parceiro, uma vez que os resultados podem ser demorados e, em alguns casos, frustrantes", diz Jussania.
Getty Images

Seu relacionamento dá sinais de que acabou?

Descubra se a sua relação ainda tem chances de dar certo fazendo o teste elaborado com a consultoria de Frederico Mattos, psicólogo clínico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e autor do livro "Como Se Libertar do Ex" (Matrix Editora).

A psicóloga e psicodramatista Adelsa Cunha, co-organizadora do livro "Por Todas as Formas de Amor – O Psicodramatista Diante das Relações Amorosas" (Ed. Ágora), lembra que as pessoas mudam, sim, mas não de acordo com as expectativas alheias. "Elas podem melhorar, mas não se transformam em outras pessoas. O comportamento aprendido, o temperamento e a dinâmica emocional podem ser melhor administrados, mas não abandonados", explica.
O recomendável, quando o par problemático resolve passar por um processo de mudança, é apoiá-lo e aceitá-lo como ele é hoje, sem a ilusão de que mudará radicalmente. "Mas lembre sempre de se questionar: 'eu quero que o outro mude, mas e eu? Qual é a minha parte nisso?'. Sua conduta também vai ter de ser modificada", diz Heloisa Schauff.
Segundo os especialistas, a pessoa deve investir até onde acreditar que pode dar certo. Esgotadas todas as possibilidades, talvez seja a hora de colocar o amor próprio em primeiro lugar e partir para outra. É importante considerar, por exemplo, o quanto o comportamento do outro vem prejudicando sua vida, os reais sentimentos e se, apesar de todos os seus esforços e sua compreensão, a pessoa não faz nada para mudar.

Esse rompimento, no entanto, deve ser gradual, de acordo com Mônica. "Se você entrou na relação e durante um tempo conviveu com um parceiro problemático, precisa ter consideração na hora de partir. É preciso explicar que tentou de todas as formas, que acreditava que poderia suportar as fragilidades alheias, mas que a convivência se tornou insustentável. Não simplesmente para fazer a mala e ir embora. A separação precisa ser construída, para que a pessoa que será deixada não fique ainda mais desestruturada", fala a terapeuta.

http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2014/11/07/ate-que-ponto-vale-a-pena-insistir-em-uma-relacao-problematica.htm#fotoNav=1

Por que roqueiros dos anos 80 se tornam neoconservadores?

maio 18, 2014 15:46

O paradoxo para essa geração niilista e hedonista herdeira do trauma da cultura hiperinflacionária é que o fim do mundo não aconteceu. Depois de 30 anos muita coisa mudou no Brasil que o espaço aqui dessa postagem não permite descrever
Por Wilson Roberto Vieira Ferreira, do Cinegnose
rock 80Fazendo caras feias e rostos vincados, roqueiros dos anos 80 se zangam e protestam dizendo que 30 anos depois, nada mudou no País. Artistas e bandas de rock que na década de 1980, inspirados no punk e pós-punk, se opunham ao regime militar e reivindicavam pelas Diretas Já e democracia. Hoje, queixam-se para uma mídia ávida por declarações conservadoras não só contra o Governo e o PT, mas  contra a própria instituição da Política e dos políticos. Por que só depois de 30 anos descobriram que o País “só patina ou piora”? Oportunismo em meio de carreiras em declínio? Forma de ganhar visibilidade midiática adotando o neoconservadorismo? Talvez a explicação não seja tão simples: por trás do niilismo e pessimismo fashion desses roqueiros talvez exista a repetição do trauma de uma geração que cresceu sob o impacto da cultura hiperinflacionária dos anos 80. Presos a essa cena de décadas atrás, de contemporâneos tornaram-se extemporâneos.
Em foto promocional do 18° discos dos Titãs, o grupo posa com caras de maus e vestidos de preto sobre lambretas. “São as caras feias de um Brasil que, vira e mexe não muda”, dá legenda o jornal O Globo. E na matéria o guitarrista (e colunista do próprio jornal) Tony Bellotto, 53, fuzila: “é uma merda pensar como o Brasil há 30 anos ou patina, ou piora”.É recorrente a leva de roqueiros dos anos 80 como Lobão, Roger, Dinho Ouro Preto, Léo Jaime entre outros que não só desfilam opiniões catastrofistas e de descrédito não só ao Governo Federal e ao PT, mas em relação à própria instituição da Política em redes sociais e grande mídia.
A ânsia em se portarem como críticos politicamente incorretos algumas vezes beira ao protofascismo como no episódio da “pegadinha” do colunista da Folha Antônio Prata que, simulando ter aderido ao neoconservadorismo, escreveu sobre uma suposta conspiração de “gays, vândalos, negros, índios e maconheiros” no Brasil do PT. O roqueiro Roger do “Ultraje a Rigor” caiu na “pegadinha” e no twitter congratulou o articulista por “ter culhões”. Roger não entendeu a ironia, na ansiedade de fazer parte da onda neoconservadora na grande mídia.
Em todos esses roqueiros sobreviventes dos anos 1980 dois traços em comum: a carreira em baixa por não conseguirem se reinventar e a paralela conquista de espaços na grande mídia como colunistas de revistas e jornais, repórteres de programas vespertinos como Vídeo Show da TV Globo, banda de apoio a talk showsde stand ups neoconservadores ou jurados de reality show musicais. E os espaços alternativos que ganham na grande mídia crescem na proporção direta em que se expõem como estrelas neoconservadoras que participam da grande editoria que unifica a todos: “o Brasil é uma merda!”.
Para quem foi contemporâneo dessa geração como esse autor que traça essas linhas, é a princípio surpreendente esse posicionamento neoconservador. Uma geração cujas bandas participavam de programas alternativos de TV como Perdidos da Noite (1985-89) de Fausto Silva ou Fábrica do Som (1983-84) do vídeo maker Tadeu Jungle onde exibiam músicas furiosas e discursos críticos contra a ditadura militar e reivindicações viscerais pelas Diretas Já e a democracia na Política.
O que é marcante nesse discurso neoconservador é não só o ódio pelo PT, mas, principalmente, a descrença niilista da própria instituição da Política e da representatividade partidária pela qual reivindicaram há 30 anos.
Como explicar essa guinada ideológica de artistas e bandas de rock que, embalados pelos ventos do punk e pós-punk que sopravam da cultura pop, usaram essa força estética para protestarem contra o regime autoritário e a restrição a eleições diretas para presidente? E também como explicar por que só depois de 30 anos descobriram que o Brasil “ou patina, ou piora”?
Oportunismo? Artistas decadentes que procuram um lugar ao sol da grande mídia conservadora quando veem que suas carreiras estão em declínio? Acredito que a resposta talvez não seja assim tão simplista, mas resida no perfil psicocultural de uma geração que cresceu sob o impacto da hiperinflação da década de 1980
A cultura da hiperinflação
Ainda está por ser escrita uma história do legado que a cultura hiperinflacionária desse período deixou como mácula para toda uma geração. E essa história poderia começar a ser escrita a partir da forma como os expoentes artísticos dessa geração se entregam atualmente e de forma tão voluntariosa à onda neoconservadora e retrofascista que está em crescimento no País com linchamentos, ódio, intolerância e a sedução por “soluções finais” do tipo “golpe militar” ou “colocar uma bomba no Congresso”
A Nova República que se instalou no Brasil no início de 1985 deveria ser o princípio de uma transição democrática com o fim do regime militar. Mas o resultado foi que o País chegava a 1990 com inflação de 82% ao mês e aos inimagináveis 4.922% ao ano. Na atualidade, jovens na faixa dos 20 anos não conseguem imaginar o que era em um país onde o dinheiro que se tinha só dava para comprar a metade do que se poderia adquirir 30 dias antes.
O overnight (aplicação financeira que rendia taxas de juros diárias, e não mensais como habitualmente acontece hoje em dia) que acabou virando referência para o aumento dos preços virou o símbolo de uma cultura do “salve-se quem puder”, da ausência de expectativas em relação ao futuro e do viver cada dia como se fosse o último.
Partindo dos estudos das relações entre cultura e inflação feitas pelo cientista político Elias Canetti, Bernd  Widdig no seu livro Culture and Inflation in Weimar Germanypropõe um interesse enfoque cultural do dinheiro ao propor uma “semiótica da cultura inflacionária”. Tomando como objeto de análise a histórica hiperinflação da Alemanha no período entre guerras ela vai afirmar que a linguagem do dinheiro é o mais importante medium através do qual a sociedade moderna se comunica. O que acontece quando esse medium perde a confiabilidade e parte-se em pedaços? Que espécies de ansiedades são criadas? Quais energias antes ocultas são liberadas?
Canetti no seu curto ensaio Inflation and The Crowd discorre sobre três dinâmicas culturais inter-relacionadas: a circulação, massificação e depreciação como componentes de um sentimento geral de degradação de si mesmo: quanto maior a aceleração da circulação do dinheiro, mais se incrementa o sentimento de massificação (efeitos de manada, pânico etc.) e tanto maior a depreciação não apenas monetária, mas do próprio indivíduo e do futuro, criando uma razão cínica niilista e hedonista.
Por isso, na crise hiperinflacionária acaba-se criando uma paradoxal convivência de perdedores, poderosos, luxo e ostentação, um mix traumático que acabou produzindo na Alemanha tanto as vanguardas artísticas como o nazifascismo.
Dez anos a mil
No Brasil, psicanalistas como Jurandir Freire Costa em seu texto Narcisismo em Tempos Sombrios de 1988 fazia um diagnóstico do que ele chamou de “pânico narcísico”: o fortalecimento de uma cultura da razão cínica marcada pelo niilismo (a negação do futuro) e hedonismo (a busca de um eterno presente de prazer imediatista e descompromissado). A hiperinflação corroía todas as esperanças de que a transição para a democracia naturalmente levaria o País para o melhor dos mundos.
A poética das bandas de rock dos anos 80 reflete esse cinismo em relação ao futuro em versos como “é melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez” (Décadence Avec Élégance do Lobão) ou “devemos nos amar como se não houvesse amanhã” (Pais e Filhos do Legião Urbana) ou o niilismo do Barão Vermelho em Ideologia.
O Punk e o pós-punk chegam atrasados no Brasil (a virada punk dos Titãs com o disco Cabeça Dinossauro ocorre dez anos depois da explosão pop dos Sex Pistols). A estética “No Future” ou “DIY” (Do It Yourself – faça você mesmo) do punk é despolitizada e incorporada à atmosfera sombria de descrença em relação ao futuro e das próprias instituições políticas: “Ladrão por ladrão, vote no Faustão”, caçoava Fausto Silva no programa Perdidos na Noite enquanto a banda Titãs tocava “Lugar Nenhum” – “Não sou brasileiro, não sou estrangeiro. Sou de lugar nenhum”.
Nessa específica edição do Perdidos na Noite, questionados pelo apresentador Fausto Silva sobre a preferência de candidatos à presidência, os componentes dos Titãs se revezam entre a indiferença e o cinismo ao propor como candidatos Hermeto Paschoal e Jorge Mautner – veja vídeo abaixo.
Dilemas de uma geração
Se a depreciação e massificação produzidas pela hiperinflação alemã na cultura produziu a despolitização (a descrença em relação às instituições de representação e negociação política) que resultou na sedução pelas “soluções finais” e pelo nazifascismo, no Brasil a descrença generalizada na Política nos trouxe o sebastianismo do “caçador de marajás”: a aposta suicida em alguém “diferente de tudo que está aí” e sedução por soluções diretas e sem negociações, representada pela figura trágica de Collor de Mello.
O paradoxo para essa geração niilista e hedonista herdeira do trauma da cultura hiperinflacionária é que o fim do mundo não aconteceu – afinal de contas, o fim do mundo não foi o fim do mundo, parafraseando a música do Lobão. Depois de 30 anos muita coisa mudou no Brasil que o espaço aqui dessa postagem não permite descrever.
Mas o psiquismo dessa geração parece ainda estar preso na cena traumática do passado, repetindo ainda 30 anos depois na cabeça a mesma cena da depreciação, do niilismo e do cinismo. Todos esses roqueiros, agora traduzidos como “neoconservadores”, parecem conviver com os seguintes dilemas:
(a) o mundo não acabou, o País mudou, mas ainda tentam manter o discurso da revolta cínica e desesperançada com a qual chegaram ao estrelato na cultura da hiperinflação da década de 1980.
(b) suas carreiras começaram a entrar em declínio por não conseguirem se reinventar diante da mudança de cenário social e político. De contemporâneos tornaram-se extemporâneos.
(c) por isso, tornaram-se presas fáceis para o discurso neoconservador atual alimentado pela grande mídia. Em cada coluna de revista, artigo ou declaração para a grande mídia ávida por confirmar sua pauta primordial (o Brasil é uma merda!), seus discursos extemporâneos são repetidos como farsa, como repetição neurótica da velha cena do trauma localizada há 30 anos.

http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/05/por-que-roqueiros-dos-anos-80-se-tornam-neoconservadores/

Psicoterapeuta critica consumismo e vaidade de 'executivos ostentação'

14/12/2014 - 02h02
| ANDRÉ CABETTE FÁBIO
DE SÃO PAULO
6,6 mil10366
Ouvir o texto
Acostumado a atender empresários de sucesso, o psicoterapeuta Flávio Gikovate tem um alerta para quem sonha com riqueza: "felicidade tem pouca relação com o dinheiro e os bens materiais, a não ser no que diz respeito à satisfação das necessidades básicas da pessoa".
Autor do livro "Mudar –Caminhos para a Transformação Verdadeira" (MG Editores), ele diz que os mais bem-sucedidos no Brasil são "muito mais elitistas e segregadores do que em outros países mais desenvolvidos".
Competição excessiva, consumismo e isolamento são problemas desse público.
Jorge Araujo/Folhapress
O psicoterapeuta Flávio Gikovate, para quem competição demais destrói laços de amizade
O psicoterapeuta Flávio Gikovate, para quem competição demais destrói laços de amizade
Veja abaixo reflexões do psicoterapeuta sobre as ciladas pessoais em que empresários de sucesso caem.
EQUIPE DE FOMINHAS
O custo da competição é danoso para a empresa e para os funcionários sempre que ela vier prejudicar demais o clima de cooperação.
É como num time de futebol: todos querem se destacar, ganhar espaço, ir para a seleção; porém, antes de mais nada é preciso que o grupo consiga ser organizado e cooperativo para que bons resultados beneficiem o grupo como um todo, criando condições para que os mais talentosos acabem por se destacar mais naturalmente.
Esse é o maior desafio, empreitada difícil no esporte competitivo de caráter coletivo e também numa empresa.
O custo pessoal quando o ambiente é essencialmente competitivo tem a ver com o estresse e o esfacelamento dos elos de amizade e companheirismo que tão bem fazem a todos os humanos, especialmente àqueles que passam mais de um terço de suas vidas no ambiente de trabalho.
ESPELHO, ESPELHO MEU
O consumismo é um outro tipo de competição um tanto vazio, posto que os prazeres ligados ao consumo exagerado só costumam ter a ver com a vaidade e não com o real usufruto de determinados bens.
A vaidade tem a mesma origem etimológica que "vão", ou seja, "vazio": trata-se de algo efêmero e um tanto pobre em termos de resultado para a autoestima da pessoa e também para a efetiva felicidade, ou seja, para um bem estar razoavelmente estável e duradouro.
Essa competição envolve não apenas os executivos mas suas famílias e principalmente os empresários, que cada vez mais desejam se destacar pelo que consomem ao invés de se orgulharem do que são capazes de produzir.
Além disso, o consumo é sem fim, de modo que sempre ficam faltando coisas mesmo para os que compram de modo compulsivo.
Quando penso nisso, lembro do Epiteto (filósofo romano do início da Era Cristã) que dizia: "rico não é quem tem tudo e sim aquele que não deseja nada".
Felicidade tem pouca relação com o dinheiro e os bens materiais, a não ser no que diz respeito à satisfação das necessidades básicas da pessoa.
DINHEIRO NÃO COMPRA
Não tenho visto a saúde negligenciada em termos de visita ao médico: em muitas empresas os exames regulares são mais ou menos obrigatórios.
Mas percebo uma certa negligência nas medidas preventivas, ou seja, na prática regular de exercícios, no consumo de alimentos saudáveis e uma vida mais serena e com menos ambição e estresse.
Isso tem a ver até mesmo com o estilo de vida, muitas vezes envolvendo viagens, refeições em restaurantes em horários não tão recomendados, ingestão de bebida alcoólica em dose um tanto exagerada até mesmo para conseguir relaxar...
BRIGA PELO TRONO
A rivalidade entre pai e filho homem competente é quase que inevitável. É um tipo de tensão que nasce com a criança, uma vez que a mãe é objeto de amor de ambos!
Afora isso, é claro que os empreendedores têm muita dificuldade de abandonar o comando do barco, mesmo quando o filho está pronto para assumir suas funções; a única solução é a transferência da função executiva para o filho, sendo que o pai se retira para um conselho (real ou fictício), passando a agir mais como um observador, dando sugestões e conselhos quando achar necessário.
Isso atenua o conflito, mas não faz com que desapareça completamente, posto que ainda assim existirão tensões. São poucos os que conseguem esse convívio com razoável harmonia e respeito mútuo.
É bem mais fácil quando o pai tem outros interesses e consegue ir se desligando da empresa e se dedicando a suas outras atividades; porém, essa não é a regra, posto que os mais bem sucedidos não costumam ser pessoas ricas em hobbies.
MEU CASTELO, MINHA VIDA
As condições de segurança pública fazem com que quase todas as pessoas com boa condição financeira no Brasil se protejam contra assaltos vivendo dentro de muralhas, exatamente como eram as cidadelas na Idade Média.
Condomínios fechados cercados por altos muros e com portaria rigorosa são a regra em países onde a desigualdade social é grande e onde o nível cultural e ético é baixo (Brasil, África do Sul...).
Afora isso, no nosso país o sucesso raramente desperta admiração, sentimentos positivos (como é o usual nos Estados Unidos) e sim hostilidade e inveja.
Em virtude disso, as pessoas mais bem sucedidas também se afastam de seus antigos amigos e mesmo de certos parentes.
A vida se torna mais rica, porém bastante menos interessante e interativa do que a qualidade de vida dos que vivem em bairros mais populares.
Em cidades como Londres, Paris e Nova York os mais ricos e bem sucedidos também andam a pé, vão aos cinemas e esperam na fila como todo o mundo.
Os mais bem-sucedidos aqui no Brasil gostam sempre de tratamento diferenciado, de modo que detestam filas, não vão ao cinema por ser atividade muito popular. Em uma frase, são muito mais elitistas e segregadores do que em outros países mais desenvolvidos culturalmente.

Assim, nem todo o "encastelamento" tem a ver com segurança; uma parte do processo diz respeito ao gosto mais forte de viver uma vida elitizada, mais distante da grande maioria da população.

http://classificados.folha.uol.com.br/negocios/2014/12/1561876-psicoterapeuta-critica-consumismo-e-vaidade-de-executivos-ostentacao.shtml

Google elege os melhores apps do ano para Android

Por Redação Olhar Digital - em 01/12/2014 às 17h00



Como é de costume, a Google Play liberou a lista com os melhores aplicativos do ano. São 67 opções de apps de jogos, notícias, entretenimento e outras categorias. Confira abaixo as escolhas da loja de apps do Android para 2014:
1. Wunderlist
Organizador que ajuda usuários a criar listas de tarefas, compromissos e notas.  O app permite compartilhar os documentos criados, adicionar tags para organizar cada uma das tarefas e inserir PDFs e imagens.
2. TED

App oferece ao usuário mais de 1.700 vídeos de palestras da famosa fundação de especialistas de diversas áreas e nacionalidades.

3. Teclado SwiftKey + Emoji

SwiftKey é um teclado alternativo para Android que permite que o usuário digite rapidamente mensagens de texto, SMS, e-mails e chats. Ele possibilita a inclusão de emojis e é compatível com mais de 60 idiomas.

4. Lumosity

Aplicativo desenvolvido por neurocientistas que traz atividades para desenvolver a memória e treinar a atenção.

5. Wish

Shopping virtual que permite a comparação de preços de diversos produtos.

6. Shazam

Software identifica músicas e programas de TV em execução através de trechos.

7. IFTTT
Permite criar conexões usando declarações do tipo "se isso acontecer, então faça aquilo". O app combina duas contas de diferentes sites ou redes sociais para que sejam executadas juntas.

8. Over

Editor de imagens para a inclusão de textos nas fotos.

9. Groupon

Aplicativo de e-commerce local que promete entre 50% e 70% de desconto em produtos e serviços.

10. Locket Lock Screen

Possibilita ao usuário escolher o que vai aparecer na tela de fundo. É possível selecionar, por exemplo, as principais manchetes de jornais de temas selecionados.

11. Timehop

Espécie de "máquina do tempo" para o usuário resgatar conteúdo antigo da linha do tempo. É possível selecionar datas exatas e voltar dias, meses e até anos.

12. Yahoo News Digest

App com as principais notícias do portal Yahoo.

13. EyeEm

Editor de imagens que traz 20 opções de filtros.

14. Sunrise Calendar

App unifica compromissos do Google, iCloud e Exchange.

15. Afterlight

Editor de imagens que oferece 59 filtros, 66 texturas e 15 ferramentas de ajuste de itens como contraste e brilho.

16. Buzzfeed

App traz os principais destaques do site de variedades Buzzfeed.

17. Facetune

Editor de imagens focado em selfies que permite penas correções e ajustes.

18. musiXmatch

Player que exibe a letra das músicas que estão sendo reproduzidas.

19. Expedia Hotels & Flights

App que oferece ofertas de viagens, vôos e hoteis.

20. Todoist
Permite a criação de listas de tarefas e pode ser sincronizado em celulares, tablets e PCs.

21. djay2
Pode se integrar com Spotify, a biblioteca do Play Music e as músicas do dispositivo e permite que o usuário mixe as faixas.

22. Link Bubble Browser

Opção de navegador que agiliza a leitura de conteúdos.

23. TuneIn Radio
Oferece mais de 100 mil rádios e 4 milhões de podcasts de temas variados.

24. The Economist Espresso

Aplicativo traz toda manhã um editorial do jornal The Economist.

25. DramaFever
Software possibilita que o usuário assista a filmes, programas de TV e séries.

26. MAPS.ME Pro - offline maps
Com o app é possível visualizar ruas e destinos sem utilizar a conexão da internet.

27. OkCupid Dating
Aplicativo do site de namoro online.

28. Uber
Com o Uber é possível solicitar táxis via celular, comparar tarifas e pagar com cartões.

29. CNN Breaking US& Worldwide

Aplicativo traz as últimas notícias dos EUA e do mundo.

30. Onefootball
Plataforma com as notícias de futebol do dia. Ele permite selecionar um time favorito e traz estatísticas e artigos em tempo real das principais ligas do mundo.

31. Carousel
Galeria que permite visualizar todas as fotos salvas no Dropbox. O app sincroniza automaticamente os arquivos.

32. Anywayanyday: Flights Hotels
App para quem deseja comprar passagens aéreas e reservar hoteis.

33. SlideShare Presentations

Programa oferece mais de 15 milhões de apresentações criadas no SlideShare de diversos temas.

34. Duolingo Test Center
App para certificar sua proficiência no inglês.

35. NY Times Breaking News

Aplicativo que traz os últimos destaques do jornal NY Times.

36. Secret
Plataforma que permite a publicação anônima.

37. SoundHound
App capaz de identificar músicas pelo trecho reproduzido.

38. edjing DJ Mixer Music Player
Com o edjing DJ o usuário pode mixar faixas. É possível sincronizar contas do Deezer e do Spotify.

39. Craftsy Classes
Traz mais de 500 aulas online de fotografia, decoração do bolo, culinária, pintura, desenho, quilting, tricô, costura, entre outros.

40. Mailbox
App une e-mails de diferentes contas em uma plataforma só.

41. 5by
Oferece mais de 100 canais de vídeo e funciona como uma rede social: nele é possível conversar sobre os arquivos audiovisuais e encontrar amigos com os mesmos interesses.

42. Dailymotion
Com esse app é possível acessar todo o conteúdo de vídeos da plataforma Dailymotion.

43. LINK
Rede social permite a criação de perfis e possibilita a busca por região.

44. minube

Reconhece a localidade em que cada uma das fotos do álbum do usuário foi tirada e permite a inserção de textos e mapas.

45. Equalizer
Permite a equalização de músicas em 10 definições disponíveis baseadas em gêneros musicais.

46. Criador de Vídeos- Colagem
Ajuda a criar montagens de vídeos com diversas fotos.

47. Frontback
Capta e compartilha imagens das câmeras frontal e traseira do celular rapidamente, unindo-as.

48. Obscure
Funciona nos mesmos moldes do Snapchat. Além de permitir fotos enviadas com adesivos e textos incluídos, deixa os destinatários solicitarem a foto original.

49. Google Fit
Ajuda o usuário a realizar e monitorar atividades físicas, exibe recomendações de atividades e permite a definição de metas.

50. lettrs
Permite a criação de cartas e mensagens de voz e o compartilhamento via e-mail, Facebook, Linkedin, Twitter e Instagram.

51. Monki Chinese Class
O app traz lições de chinês para crianças em 3 níveis de dificuldade.

52. Telegram
Aplicativo de mensagens que funciona como o WhatsApp.

53. Samba: Vídeos + Reações
Para o usuário enviar vídeos aos amigos e gravar suas reações.

54. (OFFTIME)
Com o (OFFTIME) é possível restringir o acesso a todos os aplicativos, além de criar perfis que bloqueiam chamadas, mensagens e notificações.

55. Child Mode & Time Education
Funciona de duas maneiras: bloqueia determinados aplicativos e funções do celular e oferece um timer para que o tempo de jogo das crianças seja controlado.

56. Rundavoo

Agenda de tarefas coletiva. Através dela é possível organizar as atividades com amigos, família e colegas de trabalho.

57. Univision Deportes

Traz as principais informações da cobertura espanhola de futebol, Fórmula 1, boxe e outros esportes.

58. Skype Qik
Com o Skype Qik é possível enviar aos amigos vídeos curtos.

59. Viadeo
Trata-se de uma rede social profissional.

60. Camera ZOOM FX
Adiciona à câmera do Android diversos recursos e melhora a qualidade das fotos tiradas.

61. Bitmoji
Permite que o usuário crie seu próprio emoji.

62. Ultimate Guitar Tabs & Chords
Com esse app é possível acessar partituras e acordes para violão e ukulelê, além das letras das músicas.

63. Golfshot: Golf GPS
Traz mapeamentos GPS de campos de golfe, informações sobre o tempo e cartões de pontuação.

64. Amazing World Atlas
App desenvolvido para crianças com idade entre 9 e 11 anos. Ele mostra os principais mapas do mundo de maneira divertida e interativa.

65. Watchup
Reúne as principais notícias em vídeo para o usuário, baseado em seus interesses e canais de notícia favoritos.

66. Windfinder
Traz informações sobre o vento, ondas, tempo e marés global para kitesurf, windsurf e surf.

67. Strive
Aplicativo para quem procura empregos. Com o app é possível filtrar locais, áreas e cargos.


http://olhardigital.uol.com.br/noticia/google-elege-os-melhores-apps-do-ano-para-android/45472
 
MEDIAÇÃO

A dimensão filosófica da mediação: a mediação é a relação, o «entre». A filosofia da acção subjacente à mediação é a da «relação» (rapport). A relação não é uma qualquer coisa ou uma pessoa, é o entre-dois pelo qual há “ dois ”, é o espaço intermediário. Quando é accionada, a relação significa dinamismo, confrontação recíproca, acção. A relação entre os seres humanos, os grupos deve ser vitalizada, cultivada, desabrochada. A relação não suprime mas pelo contrário preserva a separação entre as pessoas. Na mediação já não estamos numa relação de forças binária em que um termo predomina sobre o outro, mas numa relação de igualdade onde se mantém a alteridade, onde se preserva a identidade de cada um dos dois pólos e onde os fazemos concertar, ser, falar, agir conjuntamente e permanecendo eles próprios. A mediação não é somente um laço a recriar – como no caso de um conflito ou de uma dissensão – mas sim de uma forma eminentemente positiva, criação de novos laços que não existiam ou são frágeis...seria interessante que todas as pessoas entrassem em mediação consigo mesmas, a reconciliar-se consigo, a construir projectos de futuro, a reflectir sobre as suas relações com os outros e a decidir melhorá-las(Six, J-F, 2002:110-111)

Distopia


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Distopia ou antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma "utopia negativa"1 . As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade. Nelas, "caem as cortinas", e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações.
Distopias são frequentemente criadas como avisos ou como sátiras, mostrando as atuais convenções sociais e limites extrapolados ao máximo. Nesse aspecto, diferem fundamentalmente do conceito de utopia, pois as utopias são sistemas sociais idealizados e não têm raízes na nossa sociedade atual, figurando em outra época ou tempo ou após uma grande descontinuidade histórica.
Uma distopia está intimamente conectada à sociedade atual. Um número considerável de histórias de ficção científica que ocorrem num futuro próximo do tipo das descritas como "cyberpunk", usam padrões distópicos de uma companhia de alta tecnologia dominando um mundo em que os governos nacionais se tornaram fracos.


Origem e significado

O primeiro uso conhecido da palavra 'distopia' apareceu num discurso ao Parlamento Britânico por Gregg Webber e John Stuart Mill, em 18682 . Nesse discurso, Mill disse:
"É, provavelmente, demasiado elogioso chamá-los utópicos; deveriam em vez disso ser chamados dis-tópicos ['dis-' do grego antigo δυσ, translit. dys: 'dificuldade, dor'] ou caco-tópicos ['caco-', do grego κακός, translit. kakós: 'mau, ruim']. O que é comumente chamado utopia é demasiado bom para ser praticável; mas o que eles parecem defender é demasiado mau para ser praticável."
Portanto, Mill se referia a um lugar mau, ao oposto de utopia.
Em grego, a partícula δυσ (translit. "dis" ou "dys") exprime 'dificuldade, dor, privação, infelicidade'; a palavra τόπος (translit., topos) significa 'lugar'. Portanto, 'distopia' quer dizer 'lugar infeliz, ruim'. Já a palavra 'utopia' se compõe de ου (translit. ou, latinizado como u-), advérbio de negação, e τόπος, 'lugar'. Assim, utopia significa 'lugar nenhum', e distopia significa 'lugar ruim'.

Traços comuns de uma sociedade distópica

A maioria das distopias tem alguma conexão com o nosso mundo, mas frequentemente se refere a um futuro imaginado ou a um mundo paralelo no qual a distopia foi engendrada pela ação ou falta de ação humana, por um mau comportamento ou por ignorância.
A literatura distópica costuma apresentar pelo menos alguns dos seguintes traços:
  1. Tem conteúdo moral, projetando o modo como os nossos dilemas morais presentes figurariam no futuro.
  2. Oferecem crítica social e apresentam as simpatias políticas do autor.
  3. Exploram a estupidez coletiva.
  4. O poder é mantido por uma elite, mediante a somatização e consequente alívio de certas carências e privações do indivíduo.
  5. Discurso pessimista, raramente "flertando" com a esperança.
  6. Violência banalizada e generalizada.

Exemplos de Distopia nos livros e cinema

  1. Totalitarista: 1984 (1949), V de Vingança (2005)
  2. Corporativista: Robocop (1987), Clube da Luta (1999), Rollerball (1975)
  3. Tecnológica: O Exterminador do Futuro 2 (1991), Blade Runner (1982), Divergente (trilogia), Admirável Mundo Novo
  4. Ambiental: Nausicaä do Vale do Vento (1984)
  5. Anárquica: Jogos Vorazes (trilogia), Divergente (trilogia)
  6. Generalizada: La Belle Verte (1994)
  7. Cybernética: Minority Report (2002), Matrix (1999)
  8. Cyberpunk: Aachi & Ssipak, Akira (1988), Avalon, Blade Runner, eXistenZ, Ghost In The Shell (1994), Johnny Mnemonic, Looper, Metropolis, Natural City, Nirvana, Pandorum, Renaissance, Repo Men, RoboCop, Sleep Dealer, O Exterminador do Futuro, Videodrome, Matrix, Surrogates, WALL-E
  9. Consumista: Clube da Luta
  10. Pandêmica: 12 Macacos (1995), Filhos da Esperança (2006), Ensaio sobre a cegueira (2008)
  11. Moral: Beleza Americana (1999), Cisne Negro (2010)
  12. Religiosa: O livro de Eli (2010)
  13. Privacidade: Tokyo! [seguimento "Shaking Tokyo"] (2008)
  14. Misógena: A Decadência de uma Espécie (1990)
  15. Militar: Equilibrium
  16. Criminosa: A Laranja Mecânica (1971), Fuga de Nova York
  17. Superpopulação: Battle Royale
  18. Pós-apocalíptica: Mad Max (1979), O Planeta dos Macacos (1968), A Estrada
  19. Conspiração: Divergente (trilogia)
  20. Financeira: O Preço do Amanhã
  21. Alienigena: Guerra dos Mundos (1953)
  22. Cômica: Brazil (1985), Idiocracy (2006)

Referências

  1. JACOBY, Russell. Imagem Imperfeita: Pensamento Utópico para uma Época Antiutópica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 31.
  2. Exploring Dystopia, acessado em 19 de março de 2006. Ver também Trauma: a dystopia of the spirit, por Michael S. Roth.

Ligações externas

http://pt.wikipedia.org/wiki/Distopia

Sobre entrevista de Artur Avila no programa de Jô Soares



O texto abaixo é de autoria de Maria Lewtchuk Espindola, física que trabalha no Departamento de Matemática da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O que ela escreve é motivado por uma entrevista recentemente concedida pelo matemático Artur Avila, único brasileiro a conquistar a Medalha Fields, em programa de televisão conduzido por Jô Soares. Apesar de eu discordar de alguns pontos importantes defendidos por ela, julgo que vale a pena ler e pensar criticamente sobre os temas abordados. Isso porque ela também defende ideias dignas de atenção. Ao final do texto de Espindola faço alguns comentários sobre o que ela escreve.

Desejo a todos uma leitura crítica.
________________________

Comentário sobre a entrevista do matemático Artur Ávila, ganhador da medalha Fields, no programa do Jô
de Maria Lewtchuk Espindola

Fiquei extremamente afetada pela entrevista de Artur Ávila no programa do Jô, aliás deprimida até. Procurei então assisti-la de novo para me certificar que os absurdos que escutei não teriam sido mal interpretados e, infelizmente, concluí que o meu entendimento não estava equivocado. Resolvi então entrar em contato com o professor Adonai e sugerir que ele escrevesse sobre o assunto. O professor me respondeu propondo uma colaboração, a qual aceitei com muito gosto. Na verdade, sou uma admiradora deste blog e costumo divulgá-lo pois, com certeza, hodiernamente é uma das melhores leituras. Em muitos casos não concordo com algumas ideias e esse é um dos motivos deste comentário. Numa determinada postagem se discutiu a necessidade de existir no Brasil um incentivo a jovens talentosos, os  quais não precisariam passar pelos cursos normais de formação. Acredito que o direcionamento de mentes muito jovens, para uma certa área em detrimento das demais, acaba prejudicando o desenvolvimento normal do adolescente. Creio que existem etapas que não podem ser saltadas. Isso é claro quando existe um único direcionamento, e que acaba não favorecendo a sedimentação do conhecimento como um todo, sendo que o mesmo ocorre quando o direcionamento é para qualquer outra carreira, sem que haja uma formação paralela. Isso acaba gerando pessoas que não apresentam quaisquer possibilidades de se relacionar com os demais seres viventes, ou indivíduos frustrados, que muitas vezes acabam sendo conduzidos ao suicídio, como testemunhei em diversos casos.

A entrevista começou com enorme dificuldade, uma vez que o entrevistado não respondia às perguntas. Na sequência foi piorando: perguntas sem resposta, ou com respostas evasivas, incompletas, com conceitos errados ou com ar de escárnio.  E, em alguns casos, com manifestação de uma superioridade intelectual de quem não acha pertinente explicar aos apedeutas o que só determinados cérebros privilegiados podem entender. Acredito que o entrevistado é a prova viva do que não deve ser feito; o conhecimento não pode ser incorporado como se fosse por milagre... A falta evidente de maturidade do entrevistado ficou visível, assim como a falta de um embasamento científico e cultural. O desconhecimento das áreas onde está sendo aplicada por ele a técnica matemática que ele desenvolve fica evidenciada não só nessa entrevista como em outras que pesquisei¹. 

Acredito que nenhum jovem deve ser conduzido ao mestrado ou à universidade sem passar pelas etapas normais, apesar de que estas poderiam ser aceleradas, sem prejudicar o desenvolvimento nas demais áreas de conhecimento. Aqui é importante ressaltar que não defendo o fato de que todos os alunos devem obrigatoriamente cumprir as etapas no mesmo período, mas o que gostaria de ressaltar é que nenhum jovem passa de um estágio onde ele resolve uma série de problemas de uma olimpíada para a de pesquisador ou cientista... O chamado espírito científico precisa ser construído, e não creio que a atividade de competir em olimpíadas que premia o mais bem treinado é o melhor parâmetro para avaliar a possibilidade de que esse será um profícuo cientista no futuro. Na verdade, a quantidade de premiações não habilita ninguém como gênio ou cientista, uma vez que o desenvolvimento da criatividade não é premiado. Um cientista não pode ser somente um solucionador de problemas formulados (como foi designado por um dos seus colaboradores e pela comissão do prêmio²) mas, com certeza, deve ter a capacidade de discernir e formular novos problemas. Isso pode ser justificado historicamente, ao nos depararmos com os vinte e três problemas formulados por Hilbert no início do século passado (atualmente acrescido do que se refere a simplicidade das resoluções ou teorias formuladas). Das diversas reportagens e depoimentos de colegas de Artur fica esclarecido que ele é considerado como um solucionador de problemas. Por outro lado, em todas essas reportagens e entrevistas fica claro o seu despreparo na formulação até de simples ideias ou explicações. E me assusta quando ele reconhece a desnecessidade de quaisquer tipos de leituras; não tem o hábito de ler livros ou artigos, nem sequer possui uma biblioteca em casa³. Diz que o contato e a conversa com os seus colegas é suficiente, pois os palpites dados o conduzem à resolução dos problemas, mesmo desconhecendo o assunto abordado³. Segundo Einstein: "A formulação de um problema é muito mais importante que a sua solução. Esta pode ser apenas uma questão de habilidade matemática ou experimental. Propor problemas novos e encarar os velhos sob um novo ângulo é o que requer imaginação criadora e promove o progresso da Ciência". É evidente que esse contato é imprescindível em muitos casos,  principalmente quando o pesquisador trabalha em assuntos da moda, como define Santaló, apesar de existirem muitos exemplos de cientistas que acabam se isolando e produzindo grandes teorias, como Descartes, desde que possuam um cabedal de conhecimento que os torna capazes.4 

Tanto o comunicado do IMU ao premiá-lo, como o reconhecimento do próprio em diversas entrevistas, de que os últimos anos foram dedicados a escolher parceiros e problemas que o conduziriam ao prêmio, me induz a fazer uma pergunta: qual é a efetiva contribuição que as premiações têm no desenvolvimento da ciência? O que de fato está sendo premiado? Os resultados que podem ser considerados como gerais ou simplesmente aqueles que estão mais visíveis no momento ou que se tornaram os mais famosos? Quais, de fato, vão conduzir ao desenvolvimento da matemática ou de suas aplicações? Estão sendo premiadas a resolução de problemas particulares ou a formulação de teorias em ciência pura ou aplicada? São de fato os cientistas que estão recebendo essas premiações? Ou meros especialistas na falange distal do dedo mindinho da mão esquerda? Na verdade, esse comentário pode ser estendido a outras premiações em ciência, música, literatura, artes etc. Ao passo que os premiados se tornam celebridades, raramente o senso crítico predomina. 

Ainda gostaria de ressaltar que fiz questão de difundir, inclusive criticar a falta de divulgação, da premiação de Artur, pois de fato a mídia não deu o mesmo tratamento que é dado a qualquer premiação em esportes ou em outras atividades. Mas, isso é compreensível,  uma vez que um cientista não gera verbas diretamente, como qualquer outra celebridade na nossa sociedade. Como também foi quase nula a divulgação do Prêmio Balzan em 2010, que o professor Jacob Palis recebeu e que talvez seja mais próximo ao Nobel. O Professor Palis também foi entrevistado pelo Jô. E que belíssima entrevista, onde o premiado tanto respondeu a todas as perguntas como ainda conseguiu esclarecer mesmo para leigos qual a relevância dos seus resultados e da teoria desenvolvida. Na verdade, o professor Palis é considerado o avô científico do atual premiado, desde que ele orientou o Professor Welington de Melo, o orientador de doutorado de Artur. Para fazer justiça devemos dizer que existem ainda outros matemáticos que deveriam ser citados. O IMPA foi criado em 1951 pelos matemáticos Lélio Gama, Leopoldo Nachbin e Maurício Peixoto, com o intuito de estabelecer no Brasil um centro de excelência de pesquisa em matemática pura e aplicada. E é importante ressaltar que o Professor Maurício Peixoto foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da área de sistemas dinâmicos e pode ser considerado o bisavô de Artur. Inclusive o estágio atual do IMPA, nessa área, se deve ao fato de que não só o professor Peixoto iniciou a formação dos pesquisadores como tem resultados de extrema relevância, sendo que existe um resultado denominado de teorema de Peixoto em sistemas dinâmicos. 

Quero acreditar que esse menino tem ainda a possibilidade de amadurecer e, como os matemáticos acima citados, se tornar um dos grandes cientistas brasileiros deste século. Por outro lado, acredito que existem várias lições a serem tiradas desse episódio, que ainda não foram citadas. Em parte costumo atribuir a centros de pesquisa como o IMPA, o CBPF, o Bourbaki, entre outros, um defeito que de certa forma conduz a determinados comportamentos que acabam atrapalhando o desenvolvimento da ciência. São academias onde uma parte dos seus membros adota o estilo da Academia Pitagórica. Apesar de serem responsáveis pela formação de pesquisadores muito produtivos e cientistas geniais, além de estarem entre as poucas opções para quem gosta da ciência pura, existe uma série de subprodutos que ficam evidentes. Eventualmente manifestam a sua superioridade de forma constrangedora, como foi o caso do entrevistado que se ofendeu quando Jô Soares o chamou de professor. Por exemplo, tenho observado que os alunos que são formados acreditam que não precisam transmitir seus conhecimentos, e  não valorizam a atividade didática, o que fica evidente em aulas, palestras e livros publicados. Isso fica bastante evidenciado no caso da arrogância do entrevistado, pois só considera importante a comunicação com os seus coautores ou em ambientes acadêmicos. Acredito que a ciência que é produzida passa a pertencer à humanidade. Somos pagos para produzir e isso nos coloca na posição privilegiada de seres aptos a transmitir o conhecimento, aliás com o dever de bem o fazer. O ensino não deve ser encarado como uma atividade de menor valor social do que a pesquisa e seria muito interessante que este fosse o lema de todos os nossos pesquisadores e cientistas. Na minha experiência de atuação em física e matemática desde o curso de graduação, como parte do grupo de iniciação científica, conheci grandes cientistas, os quais nunca se recusaram a transmitir seus conhecimentos, ao contrário, quanto maior é o saber mais simples e modestos são.  Os verdadeiros gênios, não só transmitem seu saber, como ainda sabem valorizar novas ideias e incentivar o seu desenvolvimento.* O entrevistado aliás deve a esses o seu desenvolvimento... 

Referências

¹ Artur Ávila - I Congresso de Jovens Matemáticos: 
   
Sobre sua trajetoria acadêmica

Matematica Pura vs Aplicada

A habilidade de transpor conhecimentos              


² Artur Ávila ganha a Medalha Fields 

ICM2014 Awards

³ Na entrevista para a FAPESP: O homem que calcula

“…Você fez vários trabalhos com colaboradores. Gosta de trabalhar em equipe?

Gosto principalmente quando é para aprender. Não tenho o hábito de ler….”

“…Mas como se faz pesquisa assim?

Em matemática, é possível avançar sem ter um conhecimento mais profundo da literatura. É mais importante ter uma compreensão bem precisa das coisas fundamentais. E essas coisas importantes pego mais facilmente conversando com outros pesquisadores. Aí entra o aspecto da colaboração. Você vai conversando e a pessoa diz exatamente qual é o pulo do gato. Não precisa necessariamente passar por uma leitura extensa de toda a bibliografia em torno de um problema…” 

* Entre esses gênios cito os professores: Nelson Lima Teixeira  (meu orientador de doutorado na UFPB, onde de fato ele foi realizado e posteriormente defendido na UFRJ),  Newton Carneiro Affonso da Costa e o professor Luiz Adauto da Justa Medeiros.
______________________

Observações
de Adonai Sant'Anna

Exponho, a seguir, algumas das minhas impressões sobre o texto de Espindola.

1) De fato considero que existem excessivos obstáculos em nosso país contra o desenvolvimento e aproveitamento de jovens superdotados. O próprio Artur Avila enfrentou esses problemas, uma vez que a legislação brasileira o obrigou a obter um diploma de graduação. No entanto, também entendo a preocupação de Espindola no que se refere à adaptação social de superdotados. Por isso mesmo julgo que podemos aprender muito com programas de ajuste social e acadêmico voltado a jovens e crianças. Neste site, por exemplo, o leitor pode encontrar um belo programa cujo público-alvo inclui até mesmo crianças com três anos de idade.

2) Realmente Artur Avila não colaborou muito em sua entrevista no programa de Jô Soares. Mas isso pode se dever a fatores não contemplados por Espindola. Afinal, convenhamos, televisão remete a um ambiente muito diferente do acadêmico. Certa vez Newton da Costa foi convidado para participar deste show de TV. E ele perguntou o que eu achava disso, antes de decidir se aceitaria o convite. Respondi que provavelmente ele ficaria chateado com o resultado final. Isso porque o formato do show não abre muito espaço para uma exposição cuidadosa de ideias. Resultado: da Costa recusou o convite.

3) O fato de Avila declarar que não lê muito é certamente algo perigoso. Jovens sem familiaridade com a vida acadêmica podem interpretar essa afirmação de formas completamente corrompidas. E não há dúvidas de que o exemplo de Avila é muito influente sobre jovens. Neste sentido, não há quaisquer evidências convincentes de que Avila tenha (pessoalmente) um compromisso social maior, além da própria matemática. E como ele se tornou muito rapidamente uma perene figura pública, esta responsabilidade precisa ser reavaliada por ele.

4) O IMPA é um centro de excelência mundial em matemática. Este é um fato extremamente claro. E isso significa que os valores matemáticos lá cultivados estão em perfeita sintonia com o que há de melhor em matemática no mundo. Portanto, se existe algum problema de metodologia de pesquisa e investigação matemática no IMPA, este problema se espalha por todo o planeta. Matemática é a área do conhecimento com o menor número de citações. Isso decorre por vários motivos. Um deles é o fato de que matemática faz uso de linguagens formais muito difíceis de serem transpostas para leigos. Mas outro motivo, que considero o mais grave, é o fato de que aplicações da matemática raramente podem ser publicadas em periódicos de matemática. A maioria esmagadora das aplicações de matemática são publicadas em periódicos de física, engenharias, psicologia, direito, medicina, entre outras áreas. Portanto, matemáticos têm uma tendência natural de se isolarem de outras realidades. Físicos, porém, têm uma mente muito mais aberta. Se o leitor clicar aqui, encontrará alguns exemplos fascinantes de pesquisas sobre cinema, vida sexual e medicina publicados em excelente periódicos de física teórica. Se existe alguma imaturidade em Avila, não é apenas por culpa dele. Matemáticos em geral são criaturas academicamente imaturas.

5) Resolver problemas matemáticos famosos é uma atividade científica legítima e extremamente importante. Criar teorias também é importante. Mas desenvolver as teorias hoje existentes é fundamental. Não vejo como uma atividade possa ser mais relevante do que a outra.

6) Adotar estratégias de investigação científica com o objetivo de conquistar prêmios também é importante e socialmente necessário. Existem cientistas que buscam respostas a questões formuladas por eles mesmos. Mas existem aqueles que adotam condutas diferentes. Se uma pessoa prefere a conduta de um sobre a de outro, esta é uma questão de mero gosto pessoal. Um prêmio como a Medalha Fields não representa retorno apenas ao contemplado, mas a uma variedade de segmentos sociais. Ou seja, querendo ou não, Artur Avila beneficia sim o Brasil. Devemos ser gratos a ele e ao IMPA, por isso. Tanto é verdade que a própria professora Espindola sempre fez questão de divulgar essa premiação. 

7) Para não ser criticado, basta não ser lembrado. E para não ser lembrado, basta não fazer coisa alguma. Quem faz, se expõe. E quem se expõe está sujeito a críticas. O IMPA erra? Certamente! Artur Avila erra? Sem dúvida! Espíndola erra? Claramente! Eu erro? Bem, se eu não errasse jamais teria mudado o perfil deste blog ao longo dos anos. Erros devem ser apontados não com o objetivo de destruir pessoas, mas com a meta de revisar ideias infelizes e preconceitos, e mudar as práticas que não funcionam. No vídeo que Espindola elogia, Palis também erra. Ele conta uma história sobre Alfred Nobel que tem sustentação altamente questionável. No entanto, conta como se fosse real. 

http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2015/01/sobre-entrevista-de-artur-avila-no.html